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Ex-Funcionários de fábrica de cimento se reúnem após demissão em massa.

08/03/2017

Ex-trabalhadores da Itapissuma, produtora do cimento Nassau no Piauí, se reuniram para discutir como ficará a questão dos direitos trabalhistas. No início da semana, a empresa anunciou demissão em massa de mais de 400 funcionários. Apenas 70 pessoas, entre vigilantes e setor administrativo, permanecem no emprego.

No comunicado, a empresa informou que a medida deve-se à crise econômica que assola o país e acabou refletindo na queda de 80% das vendas.

“Por mais que as vendas tenham caído, a empresa nunca deixou de vender para o mercado. Tudo o que a gente fabricava era vendido. No decorrer dessa crise interna do grupo, parou a produção. Contudo, as vendas continuaram”, diz o eletricista Alexandre Costa. Antes da crise, a média de produção era de 1 milhão de sacos de cimento, gerando R$ 500 mil por mês.

A fábrica de cimento foi instalada na cidade de Fronteiras, em 2011 e, nos últimos anos, enfrentava dificuldades. No mês de fevereiro, os trabalhadores decidiram paralisar as atividades por tempo indeterminado, por conta de atraso salarial.

O impacto da demissão em massa já repercute no comércio da cidade.

“Eu tinha muitos clientes da Itapissuma. Ontem, antes de saírem, ainda vieram comprar o café da manhã. Hoje percebi que o movimento caiu bastante”, avalia o padeiro Benjamin Emídio de Sousa.

“Não estou sabendo como vou sustentar minha família. O que eu tinha era esse emprego. Ficou muito difícil agora”, disse o carpinteiro Francisco José de Brito, que ficou desempregado juntamente com mais três pessoas da família.

A situação preocupa também a prefeita de Fronteiras. uma vez que a Itapissuma era a maior fonte arrecadadora do município.

“Não tendo produto a ser exportado do nosso município, o que vamos fazer? sobreviver de que? De um FPM?”, questiona a Maria José, prefeita de Fronteiras.

Participaram da reunião, nesta terça-feira (07), representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Tecnológico do Piauí, poder municipal, advogados trabalhistas e ex-funcionários, ainda surpresos com a demissão em massa.

“Os colaboradores chegaram para trabalhar e os motoristas dos ônibus vieram nos entregar um comunicado dizendo que a gente havia sido chamado para uma reunião. Foi quando uma equipe do RH pediu para que a gente assinasse o aviso prévio”, conta Paulo Pinheiro, assistente de qualidade.

Ninguém da empresa quis se pronunciar sobre as demissões.

O secretário estadual de Fazenda, Rafael Fonteles, disse que uma equipe do Governo deve se reunir com proprietários da empresa na próxima semana.

“Também fui pego de surpresa. Todos os pleitos de incentivos fiscais a esta empresa foram atendidos e continuam vigorando. E não só pleitos de incentivos fiscais, mas de infraestrutura (energia, água e estrada). A empresa alegou a crise econômica, de fato um motivo relevante, mas o governador Wellington Dias e sua equipe econômica avalia se há algum mecanismo para não haver o fechamento da fábrica. Existe prejuízo para a arrecadação, mas o pior é a perda dos empregos”, disse o secretário.