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Delegados Bruno Ronchi e Arlete Silveira concederam entrevista e forneceram detalhes sobre o caso e a captura dos sete suspeitos. (Foto: Reinaldo Jorge)

Caso Dandara - Dois envolvidos presos pela Polícia.

10/03/2017

Mais duas pessoas suspeitas de envolvimento com a morte da travesti Dandara dos Santos, 42, foram capturadas, ontem. A vítima foi espancada, alvejada a bala e apedrejada, no bairro Bom Jardim, no dia 15 de fevereiro. Com a captura desta dupla, subiu para sete o número de prisões neste caso. Outras três pessoas continuam foragidas.

Um dos detidos foi Rafael Alves da Silva Paiva, 18, em Maracanaú. A Polícia concluiu que ele emprestou o carrinho de mão que conduziu a vítima ao local onde foi morta. No dia da execução, Rafael capinava um terreno próximo, quando percebeu a movimentação em torno da travesti. Além de ceder o veículo, participou das agressões.

O outro capturado é um adolescente de 17 anos. Em contato com a família, a Polícia solicitou que o jovem se apresentasse na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Na manhã de ontem, o suspeito prestou depoimento e confessou ter participados das cenas de violência.

A titular da DCA, delegada Arlete Silveira, revelou que alguns jovens alegaram envolvimento no crime por acharem que Dandara praticava roubos na região. A informação foi descartada, em virtude da ausência de antecedentes criminais. "Não procede. A vítima não tinha passagem e era querida pela comunidade". O responsável por espalhar o falso boato já foi identificado, mas seu nome está em sigilo.

Quando questionado sobre a real motivação do crime, o delegado do 32ºDP (Bom Jardim), Bruno Ronchi, disse que a Polícia delimitou a linha de investigação, mas está passível de mudanças. "Ninguém se manifestou de forma que caracterizava um crime por homofobia, no momento das oitivas", afirmou Ronchi.

Contudo, a investigação ainda está em andamento. Para Arlete Silveira, as cenas divulgadas na internet mostram conotações preconceituosas e de ódio, mas é prematuro dizer as razões da violência. "Não tem como dizer que a motivação foi a homofobia". Apesar disso, esse motivo não está descartado pelos policiais.

Justiça

O juiz da 5ª Vara da Infância e Juventude, Clístenes Gonçalves, disse que os três adolescentes ouvidos não fazem qualquer menção do crime ter sido motivado por homofobia. Os xingamentos homofóbicos funcionavam como "tortura moral" para Dandara, na versão dos suspeitos.

O magistrado observa que outros vídeos com cenas de tortura já foram feitos, em áreas que facções "determinaram" uma série de regras sobre a prática de crimes. (Colaboraram Felipe Mesquita e Fabrício Paiva)