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Conforme relato do ex-presidente da construtora, Marcelo Odebrecht, as doações foram realizadas para as duas campanhas da petista, em 2010 e 2014 (Foto: PR)

Dilma sabia sobre Caixa 2, diz delator.

Entre 2008 e 2014, o valor acertado entre a empreiteira e a equipe da petista teria chegado a R$ 300 milhões.

24/03/2017

Brasília. O ex-presidente da Construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, disse que a então presidente Dilma Rousseff sabia que a empresa fazia pagamentos via caixa dois para a campanha de reeleição dela.

O depoimento de Marcelo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, foi publicado ontem na internet pelo site "O Antagonista'.

Marcelo Odebrecht foi ouvido na ação que acusa a chapa Dilma-Temer de abuso de poder político e econômico.

Marcelo Odebrecht deu detalhes sobre o pagamento de R$ 150 milhões para a campanha. Ele contou que dos R$ 150 milhões, R$ 50 milhões vieram em cima de um pedido, de uma contrapartida específica, de um tema que é de 2009: a aprovação de um projeto de lei que atendia a várias empresas.

O ex-presidente da empreiteira disse que, em uma das reuniões com o governo Lula, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, anotou no papel e disse: "Olha, Marcelo, eu tenho a expectativa de que você contribua para a campanha de 2010 com R$ 50 milhões".

Marcelo Odebrecht disse que Guido Mantega, na prática, só começou a pedir dinheiro para o PT a partir de 2011, quando era ministro de Dilma e Antonio Palocci tinha saído da Casa Civil. Até aquele momento, segundo o depoimento, era Palocci que fazia a maior parte dos pedidos.

Sobre a campanha de 2010, Odebrecht disse que todos os pedidos de doação foram feitos por Lula e Palocci; que Dilma nem se envolvia. Na campanha seguinte, o delator afirmou que doou para outros partidos da coligação a pedido de Mantega e que uma parte foi de caixa dois.

Marcelo Odebrecht também disse que acertou com Guido Mantega R$ 170 milhões. E somado ao que acertou com Antonio Palocci, entre 2008 e 2014, o valor chega a R$ 300 milhões.

Marcelo disse que sempre ficou evidente que Dilma sabia dos pagamentos da Odebrecht.

O ministro Herman Benjamin, relator das ações no TSE, enviou aos outros seis ministros da corte um relatório parcial que resume as acusações, depoimentos e provas do caso.

O ministro deu prazo até hoje para que as partes apresentem as alegações finais - PT, PMDB, PSDB, autor da ação, e o Ministério Público Eleitoral.

Respostas

Dilma Rousseff disse que nunca teve proximidade com o empresário Marcelo Odebrecht e que jamais pediu a ele doações para a campanha dela ou para o Partido dos Trabalhadores.

O advogado dos ex-ministros Guido Mantega e Antonio Palocci disse que não conhece o depoimento na íntegra e que não comentaria trechos, porque, segundo ele, seria uma leviandade.

O PT não quis comentar.

O coordenador financeiro da campanha, Edinho Silva, disse que todas as doações da Odebrecht foram feitas de forma ética, dentro da legalidade, e que as contas foram aprovadas por unanimidade pelo TSE.

A assessoria do Instituto Lula disse que o ex-presidente jamais solicitou recursos indevidos para a Odebrecht ou qualquer outra empresa .

A defesa do marqueteiro João Santana não quis comentar.