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Brasil de Tite (Guardiola, Simeone, Klopp e cia.) mostra sua cara contra o Paraguai

Nove dias após apresentação, técnico fecha data Fifa em busca de manter os 100% e a identidade criada, apesar das mais diferentes influências sobre seus convocados

28/03/2017

Tite começou a se encontrar com seus jogadores no domingo, 19 de março. Eles continuaram chegando na segunda e na terça para viajarem ao Uruguai, onde fizeram um treino e ganharam por 4 a 1 da seleção local. Voltaram ao país, folgaram, treinaram mais três dias e, nesta terça-feira, enfrentam o Paraguai, às 21h45 (de Brasília), na Arena Corinthians.


Depois do jogo, um “até logo” e cada um vai para seu canto. O próximo encontro está marcado para junho, nos amistosos contra Argentina e Austrália.


Essa é a rotina da seleção brasileira a cada data Fifa. São nove dias para criar uma harmonia e uma identidade entre jogadores que se apresentam com os mais diferentes hábitos, vícios, influências e práticas de treinamento.



Tite orienta os jogadores da seleção brasileira no último treino antes de enfrentar o Paraguai (Foto: ucas Figueiredo/CBF)

No grupo de Tite, que lidera as eliminatórias com sete pontos a mais do que o Uruguai, há a escola da posse de bola de Pep Guardiola, a mentalidade ofensiva de Jürgen Klopp, mas também atletas de confiança de Diego Simeone, que não se importa em dar a bola ao rival para se defender intensamente, ou brasileiros como Zé Ricardo, Eduardo Baptista e Felipão.


– O Tite já conseguiu passar muito bem o que queria, todos que entram mantêm o padrão da equipe. Isso passa pelo trabalho da comissão técnica, pelo entendimento dos jogadores e a resposta no campo – disse Renato Augusto, meia que é um dos difusores das ideias do técnico, em razão de sua ótima leitura tática, e que era treinado pelo italiano Alberto Zaccheroni no Beijing Guoan, mas agora tem no chinês Xie Feng seu comandante habitual.


O consenso no grupo de jogadores é que o Brasil consegue manter um alto padrão de futebol porque Tite faz a equipe jogar, coletivamente, dentro dos conceitos mais modernos usados mundo afora: bola no chão, transição da defesa para o ataque, posse de bola, triangulações, compactação...


Viciado em assistir a jogos, já que não pode mais usufruir do dia a dia de treinos, Tite considera isso – principalmente os que vê ao vivo – fundamental para aproveitar o que seus convocados trazem de cada professor em seus clubes.


– Assim eu consigo ver a reação dos técnicos, fico projetando, imaginando o que faria no lugar deles – explicou o treinador.


Uma de suas peças de maior talento, o meia Philippe Coutinho, por exemplo, é treinado por Klopp, ícone do futebol bem jogado e engajadíssimo no aspecto tático.


– Eu gosto dos treinos táticos que ele vem fazendo, mas sim, há muitos. Ele está nos ensinando a pressionar quando não temos a bola. Depois, temos que manter a posse quando temos a bola. É sobre colocar essa mentalidade no grupo – disse Coutinho sobre o treinador alemão, em entrevista à Sky Sports, no fim do ano passado.


Um mantra de Tite, uma lição que ele atribui a Zagallo, é escalar o jogador na posição em que ele atua no clube. Há dois meses, a imprensa espanhola criticou Zinedine Zidane por um sistema com três defensores que prejudicou o desempenho de Marcelo. Chamaram de “invenção”. O francês voltou ao esquema habitual, e o lateral-esquerdo voltou a jogar bem.


Características de comportamento também são transmitidas de lá para cá. Stefano Pioli, técnico da Internazionale, recentemente afirmou em entrevista à “Gazzetta Dello Sport” que, além do argentino Icardi, capitão da equipe, o outro líder do grupo é Miranda, “cada vez mais conectado aos companheiros”, nas palavras do italiano.


Na partida da semana passada, em Montevidéu, Miranda foi o capitão da seleção brasileira na vitória por 4 a 1 sobre o Uruguai. Ele já havia sido na estreia de Tite, em setembro de 2016.


Incumbido de montar esse quebra-cabeças, que vai de Guardiola a Zé Ricardo, o professor tentará nesta terça-feira fechar mais uma data Fifa com vitória para devolver os convocados aos seus “auxiliares” com o moral mais alto possível.


FICHA TÉCNICA

Brasil: Alisson, Fagner, Marquinhos, Miranda e Marcelo; Casemiro; Paulinho, Renato Augusto, Philippe Coutinho e Neymar; Roberto Firmino.
Técnico: Tite
Paraguai: Antony Silva, Valdez, Verón, Paulo da Silva e Alonso; Riveros, Pérez, Derlis González, Rojas e Almirón; Ángel Romero.
Técnico: Francisco Arce
Local: Arena Corinthians, em São Paulo.
Data e horário: terça-feira, às 21h45 (de Brasília)
Pendurados do Brasil: Miranda, Marcelo, Casemiro, Paulinho, Renato Augusto, Filipe Luís, Fernandinho e Giuliano Arbitragem: Victor Carrillo, auxiliado por Jonny Bossio e Coty Carrera (todos do Peru)