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Durante a entrevista, os investigadores responsáveis pela ação afirmaram que havia um "direito adquirido à propina" na Petrobras (Foto: Reprodução/Internet)

Na 39ª fase ex-gerente da Petrobras é preso na Lava-Jato.

Homem era procurado no Rio de Janeiro, onde ocorreram as ações de busca e apreensão, mas foi preso em Roraima.

29/03/2017

Boa Vista. A Polícia Federal deflagrou ontem a 39ª fase da Operação Lava-Jato e prendeu preventivamente um ex-gerente da Petrobras, Roberto Gonçalves, suspeito de receber cerca de US$ 5 milhões de propina em contas no exterior.

Gonçalves foi detido pouco antes das 10h em Boa Vista (RR). Ele era procurado no Rio de Janeiro, onde ocorreram as ações de busca e apreensão. Segundo a PF, ele visitava familiares na capital de Roraima e não há indícios de que estivesse tentando escapar.

Em entrevista coletiva, os investigadores afirmaram que havia um "direito adquirido à propina" na Petrobras: Gonçalves teria herdado os acordos de pagamento de propina com Pedro Barusco, a quem sucedeu no cargo de gerente na diretoria de Serviços da estatal, entre março de 2011 e maio de 2012.

"A corrupção é intergeracional; passa de geração em geração. Na sucessão do cargo, também se passou o bastão da propina", disse o procurador da República Roberson Pozzobon.

O ex-gerente abriu contas na Suíça em nome de offshores para receber os valores. Segundo o Ministério Público Federal, depois da deflagração da Lava-Jato, em março de 2014, ele passou a transferir parte do dinheiro a países como China e Bahamas. As transferências foram descobertas a partir de documentos enviados pelas autoridades suíças, no início deste ano -que justificaram o pedido de prisão de Gonçalves.

"Ele estava dissipando valores", disse o procurador Júlio Noronha, que diz ainda não ter um balanço de quanto dinheiro foi evadido da Suíça. As autoridades daquele país conseguiram o bloqueio de US$ 4 milhões em contas do ex-gerente, que poderão ser repatriados.

Gonçalves também chegou a emprestar uma conta do ex-executivo da Odebrecht, Rogério Araújo, para receber parte da propina, segundo a PF.

Corretora

Batizada de Paralelo, a nova fase também mira o uso do mercado clandestino de valores para pagamento de propinas.

Uma corretora de valores sediada no Rio, Advalor, foi alvo de buscas e apreensões e é suspeita de ter viabilizado o pagamento de propina para funcionários da Petrobras, segundo relataram ao menos três delatores. As autorizações para cumprir os mandados foram expedidas pelo juiz Sergio Moro, responsável pela operação no Paraná.

A corretora operava regularmente, mas também atuava no mercado paralelo, segundo a investigação.

Delações

A prisão de Roberto Gonçalves é a primeira determinada pelo juiz Sérgio Moro a partir das delações dos executivos da Odebrecht homologadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os depoimentos seguem em sigilo, já nas mãos do relator, ministro Edson Fachin.

Esta foi a segunda vez que Moro determinou a prisão de Roberto Gonçalves na Lava-Jato. Ele já havia sido preso na 20ª fase da Operação, batizada de "Corrosão". Teve prisão temporária decretada e ficou preso entre os dias 16 e 25 de novembro de 2015.