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Meirelles afirmou que a idade média do brasileiro cada vez maior é uma boa e má notícia, à medida que despesas com Previdência aumentam (Foto: Agência Brasil)

Gastos com Previdência vão crescer, mesmo com reforma, diz Meirelles.

31/03/2017

Brasília. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou ontem na Câmara dos Deputados que, mesmo com a reforma da Previdência, as despesas com aposentadorias e benefícios dos sistemas previdenciários para servidores públicos e trabalhadores do setor privado chegarão a 66,7% do Orçamento em 2026. Com isso, o espaço restante para outros gastos será de 33,3%. Sem a reforma, segundo Meirelles, o espaço para as demais despesas ficará reduzido a 21%.

"A despesa da Previdência vai, cada vez mais, ocupando o Orçamento da União de uma forma avassaladora. Com a reforma, haverá espaço para as despesas como gastos sociais, disse, em audiência pública na comissão especial que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, sobre a reforma da Previdência.

As estimativas do ministro levam em conta o teto de gastos públicos. De acordo com Meirelles, o teto de gastos, aprovado no ano passado, "está sendo fundamental para a recuperação da economia". Ele afirmou ainda que o gasto público com a Previdência no Brasil equivale a 13% do Produto Interno Bruto (PIB), valor superior à média de países emergentes e similar ao de países como França e Alemanha, com população de mais idade.

O ministro reconheceu que questões como a mortalidade infantil em algumas regiões do País e a morte de jovens por violência impactam na expectativa de vida do brasileiro. Contudo, segundo Meirelles, "a vida média esperada das pessoas que já atingiram 65 anos é bem mais elevada. A chamada sobrevida após a aposentadoria está crescendo cada vez mais".

Meirelles disse que a recessão enfrentada pelo País nos últimos anos supera a depressão de 1929 e é resultado do desequilíbrio fiscal. "A recessão que o Brasil teve até agora, no fim de 2014, 2015 e 2016, foi resultado da evolução das contas públicas brasileiras", afirmou.

Juros

O ministro da Fazenda também declarou que, quanto maior a despesa com a Previdência, maior é a taxa de juros da economia. Segundo Meirelles, a reforma ataca fatores que geram concentração de renda, como o pagamento de pensões para servidor público, reajuste e aposentadoria para essas categorias "e se concentra ainda em trabalhadores do setor privado", disse.

Sobrevida

Meirelles disse que a sobrevida dos brasileiros que chegam até os 65 anos é elevada. Para mulheres, 20 anos, e para homens, um pouco menos. "A idade média do brasileiro é cada vez maior. Isso é uma boa notícia, mas também um problema, à medida que teremos uma despesa com Previdência cada vez maior, chegando ao ponto de ser insustentável", afirmou.