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Para o líder do PMDB no Senado, as decisões do Palácio do Planalto continuam "erráticas" e "punem o trabalhador e o Nordeste" . (Foto: Folhapress )

Renan Calheiros volta a atacar governo Temer.

Senador critica a sanção da lei da terceirização irrestrita e diz que a reforma da Previdência "pune o Nordeste".

03/04/2017

Brasília. Numa escalada em seu conflito com o Palácio do Planalto, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), usou as redes sociais para fazer um novo ataque ao governo.

Ele afirmou que a sanção da "terceirização irrestrita" e que a "insistência" em promover uma reforma da Previdência "que pune o trabalhador e o Nordeste" mostram que o governo continua "errático". "E quem não ouve erra sozinho".

O Planalto preparou um "pacote" para provocar Renan. A sanção do projeto de lei que trata da terceirização, a que o senador se opõe, foi feita na última sexta-feira (31), mesmo dia em que o presidente Michel Temer nomeou para o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF 5) um suposto indicado do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), o advogado cearense Leonardo Henrique de Cavalcante Carvalho.

A escolha de um suposto indicado de Eunício foi, segundo fontes, uma represália aos ataques que Renan Calheiros vêm fazendo ao governo nas redes sociais, ignorando os apelos de correligionários que tentaram acalmar os ânimos ao longo da semana.

Relator da Reforma Trabalhista na Comissão Especial da Câmara, o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) considerou, ontem, a sanção do projeto de terceirização, pelo presidente Michel Temer, "extremamente" importante para o ambiente negocial do País.

O deputado apontou que os possíveis ajustes na regulamentação da Lei poderão ser feitos por meio do relatório, previsto para ser apresentado no próximo dia 12 na Comissão Especial da Reforma Trabalhista.

"Estamos à disposição, como relator da Reforma Trabalhista, para que no bojo do nosso relatório nós possamos abrigar quaisquer atualizações ou modificações necessárias para aperfeiçoar a Lei", afirmou o relator.

As declarações do deputado tucano ocorreram logo após as críticas de Renan Calheiros.

Autoridade

Líderes da base da Câmara ouvidos pela reportagem consideram, contudo, que a decisão de Temer em sancionar a lei e não dar ouvidos às críticas de Renan reforça imagem de "autoridade" e servirá como um "antidoto" para que as investidas do senador não "contaminem" as discussões de outros temas polêmicos, como a reforma da Previdência.

Em relação à Previdência, a estratégia do governo federal, nesta semana, é o de colocar o relator da proposta, deputado Arthur Maia (PPS-BA), em contato direto com as bancadas do partido da base. A ideia é ampliar as rodadas de debates e não restringi-las à Comissão Especial, que trata desse tema.