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Sérgio Côrtes foi preso na ação deflagrada pela PF e será indiciado por vários crimes. (Foto: Agência Brasil)

Operação Fatura Exposta prende ex-secretário no RJ.

Esquema na Pasta da Saúde teria desviado cerca de R$ 300 milhões dos cofres públicos em fraudes em licitações.

12/04/2017

Rio. O ex-secretário de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, do governo Sérgio Cabral (PMDB), e os empresários Miguel Skin e Gustavo Estellita, serão indiciados por corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa, informou ontem a Polícia Federal (PF). Os três foram presos pela manhã na Operação Fatura Exposta.

A ação da PF foi deflagrada em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal contra fraudes em licitações do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) e da Secretaria Estadual de Saúde. A Fatura Exposta é uma nova fase da Lava-Jato no Rio.

Cem policiais federais cumpriram três mandados de prisão preventiva, 20 de busca e apreensão e três de condução coercitiva, na capital fluminense e nos municípios de Mangaratiba e Rio Bonito. As ordens judiciais foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

As investigações, iniciadas há cerca de 6 meses, indicam a participação no esquema do ex-secretário de governo do Rio e ex-diretor administrativo do INTO, e também de empresários do setor. Servidores públicos direcionavam licitações para beneficiar empresários investigados em troca do pagamento de propina no valor de 10% dos contratos.

Intervenção

Segundo os investigadores, Côrtes tentou barrar a delação premiada de seu ex-subordinado Cesar Romero. O acordo de colaboração deu base à deflagração da Fatura Exposta. Ao juiz federal Marcelo Bretas, a Procuradoria da República, no Rio, afirmou que "a despeito das tentativas de Sérgio Côrtes, o citado acordo de colaboração premiada com César Romero foi firmado no dia 16 de março de 2017 e homologado judicialmente no dia 20 de março de 2017".

O procurador da República Rodrigo Timóteo, da força-tarefa da Lava-Jato, no Rio, afirmou que o esquema na Secretaria de Saúde desviou R$ 300 milhões. As fraudes saíram de importações e licitações internacionais e superfaturamento em contratos com órgãos públicos.

"Nós acreditamos que aproximadamente R$ 300 milhões em relação ao que já foi levantado. Mas pode ser inclusive maior em virtude de outras contratações que não foram ainda apuradas e procedimentos administrativos", afirmou.

Desvios

O procurador da República Eduardo El Hage, também da força-tarefa, afirmou que a gestão de Sérgio Cabral "roubou dos cofres públicos em todas as áreas". Desde a deflagração da fase ostensiva da Lava-Jato no Rio já foram investigadas as secretarias de Obras e de Transportes. Agora é a vez da Saúde. "O governo Cabral roubou dos cofres públicos em todas as áreas e até o final do ano a gente vai mostrar isso", declarou.