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Peemedebista teria sugerido que os envolvidos nas denúncias fossem espionados para encontrar "inconsistência" nos depoimentos. (Foto: Agência Brasil)

Em contrato com Cunha, empresa deveria conter Lava-Jato.

Ex-deputado federal é suspeito de colocar a empresa Kroll para espionar os envolvidos nas delações premiadas.

13/04/2017

Brasília. O ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), mandou encaminhar para a Procuradoria da República no Paraná investigação sobre o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), suspeito de contratar a empresa de segurança Kroll para conter a operação.

Segundo as delações de Marcelo Odebrecht e Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, executivos da Odebrecht, em reunião em fevereiro de 2015, na casa do ex-deputado, o peemedebista sugeriu que a Kroll espionasse os envolvidos nas denúncias para encontrar "inconsistências" nos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef - os primeiros delatores da Lava Jato.

Para Cunha, com relatórios da empresa seria possível conter a operação Lava-Jato.

Ele foi preso em outubro de 2016 por ordem do juiz federal Sérgio Moro. Símbolo da operação, Moro condenou o ex-presidente da Câmara a 15 anos e quatro meses de cadeia.

Durante a gestão de Cunha na presidência da Câmara, a Kroll foi contratada pela CPI da Petrobras para investigar movimentações financeiras no exterior de pessoas envolvidas na operação.

Na época, após pressão de parlamentares, o presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), revelou os nomes dos 12 investigados pela Kroll.

A lista incluía desde o nome do lobista Julio Camargo, que citou Cunha em seu depoimento, a Stael Fernanda Janene, viúva do ex-deputado federal José Janene (PP-PR).

Moro

Como Eduardo Cunha não detém mais foro privilegiado no Supremo, a investigação sobre seu suposto interesse em contratar a Kroll para neutralizar a força da Lava-Jato vai ser realizada sob a tutela do juiz Moro, por decisão de Fachin.

Com a retirada do sigilo das delações da Odebrecht, Fachinmandou 38 petições para a Justiça Federal do Paraná - documentos que revelam suposto envolvimento de políticos sem foro privilegiado no esquema de propinas e caixa 2 da empreiteira.

Sob a tutela de Moro, vão ficar investigações que citam, por exemplo, os ex-presidentes Lula e Dilma, os ex-ministros Jaques Wagner, Guido Mantega e Antônio Palocci, e o marqueteiro Duda Mendonça.

No total, 201 petições foram remetidas a tribunais do País por ausência de foro privilegiado.