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Conforme a Sesa, as causas obstétricas diretas são as mais preocupantes, já que foram responsáveis por 44 dos 93 óbitos maternos ocorridos no Ceará em 2016. (Foto: Reprodução)

Mortalidade materna cai, mas ainda preocupa a Sesa.

A quantidade de mulheres que morrem durante ou após a gravidez tem diminuído a cada ano no Ceará.

17/04/2017

Entre 2014 e 2016, a queda no número de casos de mortalidade materna foi de 31%, o que representa uma redução de 135 em 2014 para 93 no ano passado, de acordo com o mais recente boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). O dado, porém, ainda é considerado alto e, alertam especialistas, não reduz a necessidade de prevenção e acompanhamento médico durante e após a gestação.

Apesar da redução, o Ceará ainda está longe de atingir a meta do Ministério da Saúde, segundo avalia a supervisora do Núcleo de Saúde da Mulher, Silvana Leite. A Pasta indica que um Estado não deve ultrapassar 20 mortes maternas a cada 100 mil nascidos vivos por ano. No Estado, entretanto, o índice atual é triplicado, com 60 mortes a cada 100 mil nascidos vivos.

As mortes maternas são causadas ou agravadas pela gestação, sendo obstétricos diretos ou indiretos, ocorridos durante a gravidez; não obstétricos, quando não se relacionam à gravidez; e tardios, quando a morte ocorre em um período superior a 42 dias após o fim da gestação.

Em Fortaleza, foram registradas 24 mortes maternas em 2016, das quais 11 foram identificadas como obstétricas. Na Região Metropolitana, no mesmo período, Caucaia contabilizou 12 casos. As ocorrências somam-se, ainda, a registros de outras localidades, como Maracanaú, Maranguape e Itapipoca.

Conforme a Sesa, as causas obstétricas diretas são as mais preocupantes, já que foram responsáveis por 44 dos 93 óbitos maternos ocorridos no Ceará em 2016, o que corresponde a 47,3% do total. Os principais fatores que vitimam as gestantes são as hemorragias e a hipertensão, ambas responsáveis por 18,2% dos casos. Um terceiro fator, não menos grave, são as complicações durante o parto, (15,9% das mortes).

Segundo Silvana Leite, um fator imprescindível à diminuição da mortalidade materna são as "melhorias nas estruturas das maternidades e na qualificação de profissionais", que ainda contribuem para a problemática. Outra solução, afirma a supervisora, é a conscientização das gestantes para a busca de atendimento contínuo. "Um grande desafio ainda é acompanhar todo o período da gestação, identificar quais são as de risco e dar atenção especializada para que a mulher não se perca no meio do caminho", recomenda.

A importância do pré-natal também é reforçada pela ginecologista da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), Clarisse Uchoa. "Em casos de gestante hipertensa, por exemplo, a simples aferição da pressão mensalmente já é uma providência importante para adotar a melhor solução". A assistência obstétrica em hospitais de Fortaleza e do Ceará, analisa, ainda é "insuficiente para a demanda".

Mulheres grávidas devem procurar as unidades básicas de atendimento de Fortaleza para o pré-natal. Em casos específicos, são encaminhadas aos Hospitais da Mulher, Gonzaguinha de Messejana, Nossa Senhora da Conceição, Geral de Fortaleza e, por fim, para a Meac.

Infantil

Conforme dados do mesmo boletim da Sesa, os casos de óbitos de crianças também reduziram no Estado. A taxa de mortalidade infantil (TMI) em território cearense foi "a menor registrada nos últimos anos", conforme a Pasta, totalizando 12,9 mortes a cada mil crianças nascidas vivas. Entretanto, a preocupação, em alguns municípios, é maior, já que 24 deles atingiram TMI superior a 22,8. São levadas em conta as mortes nos períodos neo natal (0 a 27 dias de vida) e pós neo natal (28 a 364 dias), além de bebês natimortos e abortados.

(Colaborou Theyse Viana)