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Michel Temer nega que exista qualquer negociação entre ele e os outros ex-gestores do País; o ex-deputado Eduardo Cunha diz que o atual presidente foi previamente informado da decisão de abrir processo contra Dilma. (Foto: Agência Brasil)

LAVA-JATO: Temer nega 'acordão' com ex-presidentes.

Peemedebista descarta pacto em prol da sobrevivência política após o impacto da divulgação das delações.

18/04/2017

Brasília. O presidente Michel Temer negou, ontem, que tenha conversado com os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva para costurar um pacto para conter danos da Operação Lava-Jato.

Temer falou sobre o tema em entrevista a rádio Jovem Pan. Perguntado se haveria algum "acordão" com os ex-presidentes, e se o trio já se reuniu para conversar sobre conter os efeitos das investigações, Temer disse que uma negociação nesse tipo seria "absolutamente inviável".

"Fazer um acordão para solucionar os problemas que hoje estão entregues ao Judiciário, ao Ministério Público e acabar com o que está aí é absolutamente inviável. Eu não participo, não promovo e jamais fui questionado ou perguntado a respeito disso, se toparia fazer uma coisa dessa natureza", declarou.

No último domingo (16), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso usou o Facebook para negar também qualquer articulação com Temer e Lula.

"Não participei e não participo de qualquer articulação com o presidente Temer e com o ex-presidente Lula para estancar ou amortecer os efeitos das investigações da operação Lava-Jato. Qualquer informação ou insinuação em contrário é mentirosa", escreveu o tucano.

Cunha

Em nota escrita do complexo penal onde está preso, em Curitiba, o ex-deputado Eduardo Cunha rebateu o teor de entrevista concedida dada por Temer, no sábado (15), à TV Bandeirantes.

Na nota, Cunha questiona dois pontos principais: no primeiro, sustenta que o encontro de 2010 -em que delatores da Odebrecht dizem ter negociado propina para o PMDB em reunião de que ele e Temer participaram- foi "agendado diretamente com" o presidente.

Temer nega ter sido ele o responsável por agendar a reunião com a Odebrecht.

No segundo ponto da nota, o ex-presidente da Câmara afirma que a decisão de abrir o processo de impeachment de Dilma, em dezembro de 2015, foi discutida com o então vice dois dias antes de oficializada.

Na nota, Cunha diz que "o presidente se equivocou nos detalhes", mas afirma, no entanto, que na reunião "não se tratou de valor nem (se fez) referência a qualquer contrato daquela empresa". Os delatores da empreiteira falam que houve acerto de propina de US$ 40 milhões.

Impeachment

Na mesma nota, Cunha afirma que sua decisão pela abertura do processo de impeachment de Dilma foi previamente submetida ao então vice. De acordo com Cunha, o parecer foi "debatido e considerado por ele correto do ponto de vista jurídico".

"O verdadeiro diálogo ocorrido sobre o impeachment com o então vice-presidente, às 14 horas da segunda-feira, 30 de novembro de 2015, na varanda do Palácio do Jaburu, 48 horas antes da aceitação da abertura do processo de impeachment foi submeter a ele o parecer que aceitava o impeachment", escreve o ex-presidente da Câmara.

Em março, Cunha foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão pelo juiz Sergio Moro pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas.

PSOL

Já o PSOL está questionando no STF o argumento da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que Temer, citado por delatores da operação Lava-Jato, tem imunidade temporária por ser presidente e não pode ser investigado por fatos anteriores ao mandato.

A sigla pede a reconsideração dessa decisão, ingressando com um agravo regimental.