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O juiz federal Sergio Moro acatou pedido da Polícia Federal e modificou a data, antes marcada para o dia 3, para o dia 10 de maio. (Foto: AGPT)

CASO TRÍPLEX: Depoimento de Lula é adiado.

25/04/2017

Curitiba. O juiz Sergio Moro, responsável pela Lava-Jato em Curitiba, mudou a data do depoimento do ex-presidente Lula, antes previsto para 3 de maio. Ele acatou um pedido da cúpula da Polícia Federal, que argumentou que precisaria de mais tempo para organizar a segurança no local e que o feriado de 1º de Maio dificultaria a operação.

O novo dia previsto para o depoimento é 10 de maio. Na conversa com Moro ficou acertado que o adiamento só se tornaria público no fim de abril.

Wagner Mesquita, secretário de segurança do Paraná, também pediu prorrogação da oitiva de Lula ao juiz federal.

Ele citou "o possível deslocamento de movimentos populares para a capital paranaense em virtude da semana de comemoração do Dia do Trabalhador", o que poderia "gerar problemas de segurança pública, institucional e pessoal".

O PT e movimentos alinhados ao partido preparavam forte mobilização para apoiar Lula.

Monitoramento feito pela polícia aponta que cerca de 50 mil pessoas devem se deslocar até a sede da Justiça Federal. Também havia previsão de atos contra o ex-presidente.

Vantagens indevidas

Lula será ouvido na ação em que é acusado de ter recebido vantagens indevidas da OAS.

Entre elas estaria um tríplex em Guarujá (SP) que seria destinado à família do petista.

Na denúncia apresentada a Moro, os procuradores afirmam que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em propinas pagas pela OAS oriundas de contratos da Petrobras. Segundo a acusação, o dinheiro foi investido na reforma do tríplex em um empreendimento da OAS.

Léo Pinheiro, sócio da empresa, disse a Moro que o apartamento pertencia a Lula.

Ele entregou aos procuradores, com que negocia delação, documentos para tentar comprovar as afirmações de que o ex-presidente foi beneficiado pela reforma do imóvel.

Novos depoimentos

Ontem, em Brasília, Lula disse não estar preocupado com a data de seu depoimento. "A hora que ele marcar, estarei em Curitiba". O petista afirmou que a prova que está na hora de "parar o falatório" e "provar" que ele recebeu dinheiro de forma ilegal.

Entre os documentos entregues estão o registro de que dois carros em nome do Instituto Lula passaram pelo sistema automático de cobrança dos pedágios a caminho de Guarujá entre 2011 e 2013.

Moro decidiu, ontem, realizar novo interrogatório com sete executivos da Odebrecht, incluindo o ex-presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht. Todos eles são réus na mesma ação penal que envolve o ex-ministro Antonio Palocci, que acenou com o interesse de fechar uma delação premiada.