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Destaque em 2016 com uma taxa de fidelidade recorde, a tendência aponta agora para convergência entre o apoio de Temer e dos ex-presidentes petistas. (Foto: PR)

Apoio a Temer diminui às vésperas de votações.

Presidente se reúne com ministros e pede maior empenho das bancadas partidárias na defesa da aprovação das reformas.

25/04/2017

Brasília. A fidelidade dos deputados federais às orientações do governo Michel Temer no Legislativo vem caindo de maneira constante desde o fim de 2016.

Se em julho de 2016 a média de apoio ao governo na Câmara dos Deputados foi de 91%, o maior índice de governismo já registrado desde 2003, em abril deste ano essa taxa caiu para 79%, queda de 12 pontos.

Os dados foram captados pelo Basômetro, ferramenta interativa do Estadão Dados que coleta todas as votações nominais ocorridas no Congresso e compara os votos dos deputados com as orientações do governo.

Segundo o levantamento, o fim da lua de mel entre Temer e os parlamentares ocorre no momento em que algumas das medidas mais importantes para o governo estão prestes a entrar na pauta, como as reformas da Previdência e trabalhista.

Os números revelam que, quanto mais recente o intervalo analisado, maior é a queda do governismo da Câmara.

Nas primeiras 20 votações nominais do governo Temer, por exemplo, 92% dos deputados seguiram a orientação do Planalto. Já nas 20 mais recentes, apenas 68% fizeram o mesmo.

Embora o governo Temer tenha se destacado em 2016 com uma taxa de fidelidade recorde na Câmara, a curva de tendência dos últimos meses aponta para uma convergência entre o apoio do peemedebista e a dos ex-presidentes do PT.

No acumulado dos primeiros 11 meses de gestão, Temer registra 84% de apoio na Câmara - taxa ligeiramente menor que a do mesmo período da primeira gestão Lula (2003-2006).

Entendimento

O vice-líder do governo na Câmara, Darcísio Perondi (PMDB-RS), disse acreditar que os índices de fidelidade ao Planalto caíram na proporção que a agenda do Poder Executivo ficou mais reformista e exigiu mais compromisso de sua base aliada.

"As propostas ficaram mais duras e mais transformadoras. Precisa de mais entendimento (por parte dos parlamentares). Não é fácil isso", afirmou.

O líder da minoria na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), porém, atribuiu a queda de apoio em plenário ao governo Temer ao aprofundamento da crise política, à falta de perspectiva dos parlamentares para 2018 e também à baixa popularidade de Temer - pesquisa Ibope divulgada no dia 17 deste mês apontou aprovação de 9% ao desempenho do presidente. "Nunca um governo teve um nível de aprovação tão baixo como o Temer. É um governo que não tem quem defenda. Como o deputado vai defender?", questionou o petista cearense.

PSDB

A menor queda na taxa de governismo entre as grandes legendas que compõem a base de apoio do governo Temer foi do PSDB.

Os tucanos passaram de 98% de apoio em dezembro para 94% em abril - o que põe o partido no topo do ranking de governismo na Casa, acima do próprio PMDB, partido de Temer.

O PMDB, por exemplo, diminuiu seu apoio ao Planalto - a sigla passou de 98% de adesão no fim do ano passado para 92% agora, queda de seis pontos porcentuais. Entre as grandes e médias legendas, as maiores baixas foram no PSB e PR. Esses dois partidos tiveram uma diminuição de 11 e 8 pontos na taxa de adesão ao governo de dezembro para cá, respectivamente.

Empenho

Temer pediu, ontem, aos seus ministros políticos, em reunião no Palácio do Planalto, que se empenhem junto às suas bancadas para garantir a aprovação das reformas da Previdência e Trabalhista. "Vou pedir para eles fazerem o que deve ser feito pelo Brasil", declarou.

Temer evitou afirmar que ia "cobrar" os ministros para assegurar os votos. Mas ressaltou que ia pedir apoio para "trabalhar pelas reformas".