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Para o peemedebista Danniel Oliveira, é preciso cautela da classe política, no momento em que o País começa a sentir sua economia respirar. (Foto: José Leomar)

Deputados estão engajados nas manifestações.

Para Danniel Oliveira, alguns representantes de partidos querem tirar proveito político e prejudicar o País.

26/04/2017

Deputados estaduais estão se organizando para participarem das manifestações contra as reformas propostas pelo Governo Temer, na próxima sexta-feira (28). Apesar de apontarem as medidas como nocivas para o trabalhador brasileiro, poucos são aqueles que têm uma alternativa menos traumática para a solução dos problemas.

As centrais sindicais estão se organizando para realizar uma paralisação nacional na sexta-feira, e alguns partidos de esquerda, como PSOL, PT e PCdoB, estão engajados nesse processo. Alguns parlamentares cearenses do PDT e até do PSB também devem participar da movimentação, conforme informaram ao Diário do Nordeste.

"Esse movimento é importante para defender os direitos dos trabalhadores no momento em que a classe sofre o maior ataque de sua história", disse o deputado petista Manoel Santana. Segundo ele, durante a ditadura militar, apesar de direitos democráticos terem sido tirados da população, assegurou-se o direito do trabalhador. "O projeto do Michel Temer retira os direitos dos trabalhadores", apontou Santana, que vai participar do movimento, em Juazeiro do Norte e no Crato, onde haverá participação da Diocese local.

Heitor Férrer (PSB), que também confirmou participação, afirmou que algumas mudanças são necessárias, visto que a Legislação acaba ficando obsoleta. No entanto, ele ressaltou que o presidente Michel Temer está fazendo reformas comparando o Brasil a países de primeiro mundo, que, em suas palavras, não cabem na nossa sociedade.

"Não conseguimos evoluir na mesma velocidade que o primeiro mundo. O Brasil não pode fazer a mesma coisa porque não conseguimos chegar ao ponto que o velho mundo chegou. Ele quer aumentar a idade para a aposentadoria, como se estivéssemos com a mesma idade dos europeus, e não temos", disse.

Ele lembrou ainda que o PSB já se manifestou contra a Reforma da Previdência, até porque, de acordo com o parlamentar, há um rombo de meio trilhão da Previdência oriundo de empresas e até bancos públicos, como Caixa e Banco do Nordeste. "Há, inclusive, empresas de deputados e senadores. O problema é que ele não busca essas dívidas e quer procurar a presa mais fácil. Por isso somos contra", destacou Heitor Férrer.

Aproveitar

Carlos Felipe (PCdoB), por outro lado, apontou a falta de legitimidade do Governo atual como ponto fundamental para se criticar tais reformas, uma vez que a gestão de Michel Temer, em sua avaliação, não representa os interesses da população. "A forma como as propostas estão sendo apresentadas vai enfraquecer a capacidade dos trabalhadores de conseguirem lutar por seus direitos. Se tivermos leis boas, mas sindicato fraco, como o trabalhador vai conseguir ter apoios?", questionou.

Felipe também apontou a falta de legitimidade do Congresso para aprovar as medidas, visto que boa parte dos representantes do Senado e da Câmara foi citada em delações feitas por executivos da Odebrecht, na Operação Lava-Jato.

José Sarto (PDT) afirmou que o partido está engajado na discussão sobre a Previdência. Ele destacou ser necessária uma discussão com um Governo que tenha legitimidade, e o fato de a atual gestão estar envolvida em denúncias acaba inviabilizando tal legitimidade popular para realizar mudanças desse porte. "É preciso legitimidade para se fazer uma reforma tão profunda como essa", apontou.

O deputado Julinho (PDT) demonstrou preocupação com a instabilidade do País, uma vez que, um ano após manifestações populares que resultaram no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, outra será realizada contra o Governo que se instalou em Brasília. "Acredito que é preciso haver reformas, mas não do jeito que está sendo feita".

Já Danniel Oliveira (PMDB) afirmou que muitos partidos políticos vão se aproveitar da paralisação para criar um sentimento de medo na população "que só vai fazer mal para o País". "Temos que aproveitar a oportunidade onde o Brasil começa a respirar uma reação na economia, não podemos perder esse fio. Muitas pessoas querem apenas atrapalhar o processo de crescimento do País. Temos que ter cautela, porque muitos partidos se aproveitam para tumultuar a manifestação, que é legítima".