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Roberto Mesquita diz que eventuais mudanças só serão "emenda" para dar resposta ao povo. (Foto: José Leomar)

Reforma política em segundo plano.

27/04/2017

Em tramitação no Congresso Nacional, a proposta de Reforma Política, que versa sobre a representatividade da sociedade brasileira, está, na avaliação de deputados estaduais cearenses, sendo colocada em segundo plano, uma vez que todas as atenções estão voltadas às reformas trabalhista e da Previdência. Para alguns parlamentares, a medida não será votada a tempo de ter validade para o pleito de 2018.

Outros acreditam que a Reforma Política não passará de um "remendo" para atender a interesses de políticos envolvidos em esquemas de irregularidades apontados pela Operação Lava-Jato. O fato é que, para ter validade nas próximas eleições, as discussões sobre o tema devem ser encerradas até um ano antes do pleito eleitoral, que ocorrerá em outubro do próximo ano.

"Essa Reforma Política deveria estar na frente das outras, mas pelo que estou vendo vai servir apenas de emenda, a fim de dar satisfação à população. Nada vai mudar, porque aqueles que poderiam mudar querem se beneficiar e eles que vão votar", disse Roberto Mesquita (PSD).

Diante do atual quadro político, o parlamentar defende que essa seja a principal medida a ser apreciada pelos congressistas, desde que seja uma Reforma Política sólida. Silvana Oliveira (PMDB) não acredita que a proposta vingue, e opina, inclusive, que não é necessária, uma vez que a mudança maior, para ela, deve ser nas condutas da classe política e do eleitorado.

Instabilidade

"Não dá para votar até setembro, até porque o momento é de muita instabilidade política. Qualquer votação será apenas para proteger a corrupção que está aí, pois toda lei que está sendo aprovada é para proteger quem conseguiu furar o esquema de corrupção", apontou, criticando também o eleitor que "vende" seu voto e fomenta os esquemas fraudulentos durante o período eleitoral.

Manoel Santana (PT), por outro lado, acredita que os congressistas estão construindo, nos bastidores das duas casas, um "projeto de sobrevivência política", no qual vão "costurar" um acordo para que a proposta tramite já para valer para as próximas eleições. No entanto, ele ressalta que a grande dificuldade será encontrar um ponto comum, visto que as alterações mais polêmicas serão jogadas para outros pleitos, como o de 2022.

Já Rachel Marques (PT) destacou que não há, no momento, nenhuma preocupação sobre tal Reforma, visto alterações mais urgentes em discussão, como as reformas trabalhista e previdenciária. "Não há, neste momento, amadurecimento sobre a Reforma Política, e acho que a concentração das energias está direcionada para derrotar essas outras duas reformas", salientou.

Ely Aguiar (PSDC) opina que a Reforma Política no Brasil é uma "incógnita", uma vez que não é possível prever os rumos que o Congresso vai tomar. Ele reclamou que projetos que chegam às duas casas legislativas são "desfigurados" e, por isso, nenhum dos pontos defendidos pela população foi votado.

Heitor Férrer (PSB) acredita que serão aprovados "retalhos" de uma Reforma Política para atender interesses de políticos envolvidos em irregularidades. "Essa Reforma é um casuísmo sem precedentes", disse. Já Leonardo Araújo (PMDB) projeta que até o fim do ano todas as reformas sejam aprovadas, mas disse não poder assegurar a possibilidade de a Reforma Política ser implantada já para 2018.