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No painel, constavam apenas dez nomes presentes no Plenário 13 de Maio, o que impossibilitou, como em outras sextas, a abertura da sessão. (Foto: Fabiane de Paula)

Em dia sem sessão na AL, greve divide deputados na mobilização contra reformas.

Sem quórum, cearenses saíram do Legislativo para juntar-se aos protestos. Outros criticaram a paralisação.

29/04/2017

Assim como trabalhadores em todo o País não compareceram aos locais de trabalho ontem, a grande maioria dos deputados estaduais optou por não ir à Assembleia Legislativa do Ceará, na manhã de sexta-feira (28). Com apenas dez parlamentares na Casa, às 9h20 o terceiro-secretário, deputado Julinho (PDT), declarou a impossibilidade de abrir a sessão, posto que o painel não apresentava o mínimo de 16 presenças mínimas. O Diário do Nordeste conversou sobre as impressões da paralisação geral daquela manhã com alguns dos que estavam na Assembleia.

No painel, constavam apenas os nomes de Julinho, Ferreira Aragão (PDT), David Durand (PRB), Dra. Silvana (PMDB), Ely Aguiar (PSDC), Heitor Férrer (PSB), Roberto Mesquita (PSD), Sérgio Aguiar (PDT) e Sineval Roque (PDT). Renato Roseno (PSOL) também estava no Plenário 13 de Maio, mas optou por não registrar presença porque, conforme disse, estava "em greve". Walter Cavalcante (PP) chegou poucos minutos após ser levantada a sessão.

Julinho considerou justa a greve e, olhando para o Plenário quase vazio, avaliou ser clara a adesão da grande maioria dos deputados à paralisação que ocorreu nacionalmente contra o Governo Temer, na tentativa de fazer com que as medidas propostas por ele sejam revistas. "Tem que repercutir no Congresso Nacional e Assembleia Legislativa por toda a semana que vem, no intuito de modificar e até de não aprovar algumas medidas propostas", pregou. "Precisa haver reformas, porém, conforme foram apresentadas, são muito injustas com o trabalhador".

Sérgio Aguiar, por sua vez, disse não acreditar que greve geral dê solução aos problemas do País, embora concorde que os trabalhadores têm que lutar por seus direitos.

"Estamos vendo reformas como a trabalhista e a da Previdência, que têm que haver posicionamentos contrários às ideias que estão querendo predominar, tendo em vista o liberalismo econômico que querem aplicar e acham que sacrificar o trabalhador será a melhor forma. Eu sou contrário a isso", opinou.

Alerta

Para Roberto Mesquita, o dia de ontem poderia se tornar emblemático, mas ele argumentou que era necessário "aguardar até a última hora para fazer avaliação", alertando para a presença de pessoas dentro dos movimentos que aproveitavam atos para praticar "vandalismo".

Renato Roseno relatou que sairia da Assembleia direto para a concentração do protesto que partiu da Praça da Bandeira, no Centro de Fortaleza. "Não há país democrático que não valorize e respeite a sua classe trabalhadora. O que o Governo Temer está fazendo é, sobretudo, retrocesso às condições pré-século 20", apontou. Para ele, a greve terá repercussão nas decisões em nível federal. "O governo é fraco e ilegítimo, o que nos faz acreditar que vai recuar".

Já Ely Aguiar sustentou que o Brasil está em momento de apostar no trabalho e que as categorias não poderiam parar. Para ele, a greve veio em uma hora de incertezas. "Vejo que é uma greve de alguns sindicatos insatisfeitos, não para defender trabalhador, mas porque a contribuição sindical deixa de ser obrigatória", opinou ele, referindo-se à reforma trabalhista.

Silvana Oliveira classificou a manifestação de ontem como legítima, mas apontou que o manifesto deveria ser feito com trabalho. "Tem muitas formas de se mostrar contra as reformas. Eu mesma sou contra alterar a Previdência do jeito que está sendo tentado, sei que é necessária, mas não nos moldes que se quer", disse, antes de afirmar que se manifesta "trabalhando".