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Paralisação convocada pelas centrais sindicais para protestar contra as reformas da gestão Temer, em tramitação no Congresso, levou às ruas manifestantes insatisfeitos com impactos das mudanças propostas pelo governo. (Foto: Agência Brasil)

Governo vê fracasso; oposição enxerga 'resistência' do povo.

Manifestações em todo o País provocaram um duelo verbal entre os defensores e críticos das reformas de Temer

29/04/2017

Brasília. Ao reagir às manifestações convocadas pelas centrais sindicais na última sexta-feira (28), o presidente Michel Temer destacou que os protestos "ocorreram livremente".

"Houve a mais ampla garantia ao direito de expressão, mesmo nas menores aglomerações. Infelizmente, pequenos grupos bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir do cidadão. Fatos isolados de violência também foram registrados, como os lamentáveis e graves incidentes ocorridos no Rio de Janeiro", disse Temer, em comunicado divulgado à noite.

Ao longo do dia o Palácio do Planalto ficou isolado por grades. Um forte esquema de segurança, com a presença de soldados do Exército, garantiu a proteção, enquanto cerca de 3 mil manifestantes se espalharam pela Esplanada dos Ministérios.

Para o governo federal, a paralisação foi um fracasso. "É mais uma greve de sindicatos perturbados pelas decisões do Congresso", disse o ministro da Justiça, Osmar Serraglio.

Ele também atribuiu a motivação do movimento grevista ao fim da contribuição sindical, ponto polêmico previsto na Reforma Trabalhista, aprovada em primeiro turno na última quarta.

"A necessidade de piquetes e bloqueios é a demonstração de que a greve não está tendo sucesso. Ninguém viu notícia de que tenha havido assembleia de sindicato aprovando que se fizesse greve. Logo, é uma greve das centrais insatisfeitas com as restrições colocadas ao imposto deles", comentou Serraglio.

Ele citou que a organização sindical brasileira tem 17 mil grupos, o que indica que há muitos "cabides de emprego", já que apenas 18% dos trabalhadores brasileiros são sindicalizados.

O relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), chamou a greve de "fracasso absoluto". "As pessoas entenderam claramente que o que se reivindicava no dia de hoje, por meio de uma greve geral, era apenas a continuação desse famigerado imposto sindical, que não serve para nada além de alimentar a militância desses partidos e desses sindicatos", disse Maia.

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), chamou os grevistas de "preguiçosos e vagabundos". "Porque atrapalham a vida na cidade, prejudicam a vida daqueles que querem trabalhar, de pessoas que precisam do trabalho, diaristas, pessoas que dependem do seu trabalho para sobreviver", justificou Doria.

Organizadores

Tanto para a CUT, ligada à esquerda, quanto para a Força Sindical (FS), o dia foi um sucesso. Segundo a FS, quase 40 milhões de pessoas aderiram.

"É uma clara demonstração de que as pessoas decidiram parar em protesto contra a retirada dos direitos que sofrem por parte do governo", afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A ex-presidente Dilma Rousseff também comentou as paralisações. "A #GreveGeralNoBrasil mostra que o povo brasileiro é valente e é capaz de resistir a mais um golpe", tuitou.

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, destacou que as manifestações representam "a maior greve geral do País em 30 anos".

"Os próximos passos ainda serão discutidos", avisou Boulos.

Já o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) considerou que a reforma trabalhista enfrentará forte resistência no Senado. Para ele, a situação da reforma da Previdência é ainda pior .

"Estão com medo da reforma da Previdência até na comissão. Os governistas estão temerosos e essa manifestação os assusta ainda mais", avaliou o deputado federal do PSOL.