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Milhares de manifestantes foram à Cinelândia, no Centro do Rio, contra as reformas trabalhista e previdenciária defendidas pelo Planalto. (Foto: Agência Brasil)

No Dia do Trabalho, Temer defende reformas.

Centrais sindicais vão iniciar mais uma batalha contra as propostas do governo, que avançam nesta semana.

02/05/2017

Recife/Salvador/Belo Horizonte/Brasília/São Paulo/Rio de Janeiro. Em diversas capitais do País, o Dia do Trabalho foi marcado por atos contra as reformas propostas pelo governo Temer, prestação de serviços ao trabalhador e apresentações de artistas.

Nas redes sociais, o presidente Michel Temer disse que a "modernização das leis trabalhistas" criará emprego. "Além de mais empregos, o resultado será mais harmonia na relação de trabalho, e, portanto, menos ações na Justiça", disse o presidente.

As centrais sindicais do País criticaram, em documento, as reformas e prometem "ocupar Brasília" para pressionar o Congresso. Entre as ações cogitadas, estão dois dias seguidos de greve geral ou ainda uma "invasão de trabalhadores" em Brasília.

Temer convocou ministros e parlamentares para discutir a reforma da Previdência. A expectativa é que o texto seja votado ainda nesta semana. Já a reforma trabalhista, aprovada no último dia 26 na Câmara, começará a tramitar no Senado.

Estados

No Recife, os manifestantes, em número menor em relação aos atos de sexta-feira, reuniram-se na Praça Oswaldo Cruz, em Boa Vista, e saíram em caminhada.

"Antes a gente brigava para reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Hoje estamos brigando para manter a jornada, porque eles querem levar para 48 horas, ou até mesmo ditar 24 horas à disposição da empresa (trabalho intermitente)", disse o presidente estadual da CUT, Carlos Veras.

No Farol da Barra, ponto turístico da capital baiana, um trio elétrico foi o palco de discursos e de atrações culturais, como bandas de axé e forró.

"Querem rasgar a CLT e querem rasgar a Previdência", disse o presidente estadual da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Aurino Pedreira.

Na capital federal, o ato, marcado por discursos com críticas às reformas, foi convocado pela CUT. Segundo a central sindical, as reformas prejudicam os trabalhadores. Foram realizadas atividades culturais e de recreação para as crianças.

Na região metropolitana de Belo Horizonte, foi realizada a tradicional missa do Dia do Trabalho. No ato, fieis levaram faixas e cartazes com críticas às mudanças propostas pelo governo. No Centro do Rio, houve princípio de confusão na manifestação em homenagem ao Dia do Trabalho, contra a reforma trabalhista e contra a repressão policial à greve geral, na Cinelândia.

Segundo o presidente da CUT-RIO, Marcelo Rodrigues, a briga teria começado quando um homem a favor da volta da monarquia fez comentários racistas contra outros manifestantes.

Em São Paulo, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, disse que representantes das centrais sindicais irão hoje ao Senado para negociar possíveis mudanças nas reformas.

Na Avenida Paulista, no ato promovido pela CUT, outras centrais destacaram que o evento serviu para reafirmar a greve.

"Ficou claro que o Brasil é contra as reformas propostas pelo Temer. Por isso a greve geral foi um sucesso", avaliou Vagner Freitas, presidente da CUT.

Já a ex-ministra Marina Silva (Rede) afirmou, ontem, que não há o que comemorar no Dia do Trabalho. "Há, neste momento, uma tentativa apressada do governo Temer de votar uma reforma trabalhista sem consultar os diferentes setores da sociedade, o que pode agravar ainda mais a situação difícil da vida de muitas famílias brasileiras".

PM afastado

A Polícia Militar de Goiás afastou o capitão Augusto Sampaio de Oliveira Neto, filmado atingindo com um cassetete o jovem Mateus Ferreira da Silva, de 33 anos, na dispersão da greve geral do dia 28.

Silva sofreu traumatismo craniano e múltiplas fraturas e permanece em estado grave na UTI do Hospital de Urgências de Goiânia. Ele teve a face operada.