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Relatório da IHS Markit mostra que o setor industrial dá sinais de melhora contínua, mas ainda há problemas a serem enfrentados. (Foto: Leo Lara)

Indústria registra expansão pela 1ª vez em 2 anos.

Ao atingir 50,1 pontos em abril, o Índice da indústria do Brasil voltou a ficar em território de expansão.

03/05/2017

São Paulo. O setor industrial do Brasil voltou a registrar expansão em abril pela primeira vez em pouco mais de dois anos diante do aumento do volume de novos pedidos, atenuando o ritmo de cortes de empregos, mostrou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado ontem (2).

Ao atingir 50,1 pontos em abril, o PMI da indústria do Brasil voltou a ficar em território de expansão pela 1ª vez desde janeiro de 2015, ante 49,6 em março, divulgou a IHS Markit. O resultado derivou principalmente do aumento da demanda doméstica, com o volume de novos pedidos crescendo pelo segundo mês seguido, bem como o de produção.

Conforme o relatório divulgado pela IHS Markit, as novas encomendas aconteceram por conta "da melhoria nas condições de demanda. Porém, o ritmo de aumento permaneceu modesto no geral e quase inalterado em relação a março".

De acordo com a economista da IHS Markit e autora do relatório, Pollyanna De Lima, os avanços ocorridos em março e abril "inspiraram algumas empresas a se dedicar em atividades adicionais de compra, que mostraram o primeiro aumento mensal desde janeiro de 2015.

Melhora

Ela destaca ainda que o setor industrial dá sinais de melhora contínua, mas ainda há problemas a serem enfrentados. "Os fabricantes parecem estar longe de operar em plena capacidade, já que a quantidade de negócios pendentes diminuiu acentuadamente apesar de outra rodada de cortes de empregos", escreve a economista.

No relatório, Pollyana destaca que ainda há indícios de problemas de fluxo de caixa nas empresas. "Também digno de nota é que o poder limitado de precificação significou que a grande maioria dos produtores de mercadorias teve que manter inalterados os preços cobrados ao longo do mês, contra um cenário de fortes pressões inflacionárias de custo", afirma.

Essa situação motivará, segundo a economista, mais controle pelas empresas do avanço dos preços, "o que poderia potencialmente causar mais danos ao mercado de trabalho".

Produção

Por fim, o relatório destaca que os fabricantes permaneceram otimistas em relação às perspectivas para a produção nos próximos 12 meses, antecipando um crescimento sustentado "pela obtenção de novos clientes, pelo lançamento de novas linhas de produtos, por atualizações de maquinário e por uma recuperação econômica".

'Aquém do previsto'

Para o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), Marcos Pereira, a recuperação da indústria brasileira já é uma realidade, embora ainda esteja aquém das expectativas. "Estamos otimistas. A recuperação vem sendo feita. Não é o que nós esperávamos, não é o que a indústria esperava, mas ela já esta sendo uma realidade", declarou Pereira.