Carregando...

Publicidade

Com 71 anos de idade, ex-ministro (Casa Civil/Governo Lula) estava preso em Curitiba desde 31 de agosto de 2015, preventivamente. (Foto: Agência Brasil)

Supremo concede habeas corpus a José Dirceu.

Procurador Deltan Dallagnol, da Lava-Jato, afirma que a decisão de libertar o ex-ministro é 'incoerente' e frustra.

03/05/2017

Brasília. A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, ontem, revogar a prisão preventiva do ex-ministro José Dirceu, preso desde agosto de 2015 na Operação Lava-Jato. O resultado do julgamento, por 3 votos a 2, marcou uma nova derrota para o ministro Edson Fachin, relator da operação na Corte, e para a investigação conduzida pela força-tarefa em Curitiba.

A decisão sobre Dirceu é a quarta prisão de alvos da Lava-Jato ou de seus desdobramentos revogada por ministros da Corte em uma semana. Além de nova derrota para a Lava Jato, o julgamento de ontem evidenciou uma espécie de disputa velada que vem sendo travada entre os procuradores, o juiz Sérgio Moro, e alguns ministros sobre o entendimento em relação a prisões preventivas. Para investigadores, o sinal foi claro de que outros presos devem ser soltos.

"O que está acontecendo é a destruição lenta de uma investigação séria. Infelizmente acreditam que a população não está mais atenta, talvez anestesiada pela extensão da corrupção", comentou o procurador regional da República, Carlos Fernando dos Santos Lima, da Lava-Jato.

"Saudamos a decisão do STF e esperamos que a mesma decisão se estenda ao companheiro João Vaccari (ex-tesoureiro do partido)", comemorou o presidente do PT, Rui Falcão.

Além de Vaccari, preso desde abril de 2015, o ex-ministro Antonio Palocci continua preso e já deu indícios que pode negociar acordo de delação premiada.

Três dos cinco ministros da Segunda Turma votaram por revogar a prisão preventiva de Dirceu: Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski. A favor da manutenção, os ministros Edson Fachin e Celso de Mello.

Dirceu está preso preventivamente desde agosto de 2015 e já foi condenado duas vezes pelo juiz federal Sergio Moro.

Vilania

"Este é um caso complexo e triste da nossa própria história. Não podemos nos ater à aparente vilania dos envolvidos para decidir acerca da prisão processual", disse Gilmar Mendes, que defendeu o uso do habeas corpus.

Frustração

Coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava-Jato, o procurador Deltan Dallagnol afirmou que a decisão do STF é "incoerente".

Dallagnol disse que "gostaria de poder entender o tratamento diferenciado que recebeu José Dirceu" e "chama a atenção" que os mesmos ministros que decidiram pela saída de Dirceu da prisão -Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski- "votaram para manter presas pessoas em situação de menor gravidade, nos últimos seis meses".

O procurador ainda afirmou que, embora os cidadãos depositem sua esperança no STF, elas "foram frustradas".