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Embora estranhem falta de cobrança por parte da sociedade, a apatia encontra reflexos na própria Assembleia. Ontem, ainda que 34 deputados tivessem registrado presença em plenário, Renato Roseno (PSOL) discursou para poucos. (Foto: José Leomar)

Parlamentares apontam ‘apatia’ popular no País.

Para alguns, descrédito na classe política diminuiu participação popular nas recentes mobilizações de rua.

04/05/2017

Apesar dos problemas políticos e econômicos que o País enfrenta nos últimos anos, a população, na avaliação de deputados estaduais, ainda parece apática e tem participado cada vez menos de movimentos de massa. Para alguns parlamentares, se não houver uma dedicação mais efetiva da sociedade brasileira com vistas a cobrar mudanças de seus representantes, pouco será alterado e, se o for, talvez não seja em benefício da maioria.

Líder do Governo na Assembleia Legislativa, o pedetista Evandro Leitão afirma que a população está “completamente desacreditada” na classe política e isso faz com que as pessoas não participem das mobilizações propostas, trazendo acomodação e permitindo que matérias que vão de encontro aos interesses da sociedade sejam aprovadas no Congresso Nacional.

O deputado defende que algumas reformas são necessárias, como a Política, a Previdenciária e a Trabalhista. No entanto, segundo ele, há uma situação inversamente proporcional no Brasil, pois enquanto as pessoas estão mais intolerantes com atos da classe política, não cobram nada de seus representantes.

“A classe política tem que ser cobrada e todas as promessas de campanha, cumpridas. Muitas das vezes não vemos os parlamentares, por exemplo, realizando suas funções básicas, que é apresentar leis, fiscalizar e cobrar. Nós, enquanto parlamentares, temos que fazer a mobilização em prol de uma participação maior da população”, afirmou.

Distanciamento

Carlos Felipe (PCdoB), por sua vez, opina que em recentes manifestações encabeçadas por centrais sindicais percebeu-se um distanciamento da população, que acreditava que o movimento estava sendo partidarizado. “A gente procurou trabalhar a mobilização como sendo de interesse da sociedade como um todo e não que fosse tão atrelada às centrais sindicais, porque as pessoas têm a sensação que estão sendo usadas por determinados partidos políticos”, disse.

Para o parlamentar, esse foi um dos erros do movimento, que teria tido pouca adesão da massa popular. “Se a igreja tivesse puxado o movimento, ele teria sido maior, porque querendo ou não o movimento foi usado politicamente”, admitiu.

De acordo com Bruno Gonçalves (PEN), o Brasil nunca teve um histórico de mobilizações em prol dos direitos dos brasileiros. No entanto, ele defende que, com as reformas que estão sendo discutidas no Congresso, é importante um maior engajamento da população. “Essa reforma é absurda, ridícula e todo o povo deveria ir às ruas protestar contra”, sustentou.

O deputado reclama que a sociedade como um todo está apática quanto às reformas, bem diferente quando do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). “Quem gosta de lutar pelos direitos do povo tem que ‘pilhar’ os outros. Os partidos de esquerda, os movimentos sociais, as igrejas, todos devem ir para as ruas e mobilizar os demais”, disse Gonçalves.

Força

Roberto Mesquita (PSD) afirma que há todo um descrédito em relação aos movimentos realizados pela esquerda no País, em especial àqueles propostos pelo Partido dos Trabalhadores, que foi quem durante muito tempo protagonizou essas ações. “A população não se empolga mais com esse chamamento. O sonho acabou, e parece que viram que o desapontamento está maior que a emoção que tinham para participar das transformações, que, de fato, eles fizeram”, disse o parlamentar.

Já o deputado Moisés Braz (PT) diz que as centrais sindicais começaram a despertar por conta da perdas de direitos que terão, mas a população em geral ainda aguarda maiores movimentações. A participação da igreja, segundo ele, “começa a chamar o pessoal para fazer uma maior reflexão sobre a situação política pelo qual o País passa”.

“Se for esperar apenas pela base sindical e igreja, continuaremos tendo retrocessos, porque você faz uma movimentação, reúne os sindicatos, mas quando chega no Congresso os deputados votam contra os interesses da população”, reclamou.