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Duque relatou ao juiz federal Sergio Moro, em Curitiba (PR), três encontros pessoais com o petista, sendo o último em 2014, com a Lava-Jato já deflagrada. (Foto: Reprodução)

'Lula sabia', afirma ex-diretor da Petrobras.

Dirigente relatou ordem recebida do ex-presidente para destruir provas da conta de propina no exterior.

06/05/2017

Curitiba. O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque afirmou, na última sexta-feira (5), que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "tinha pleno conhecimento de tudo, tinha o comando" do esquema de corrupção na estatal. Duque relatou ao juiz federal Sergio Moro, em Curitiba (PR), três encontros pessoais com Lula, o último em 2014, quando a Operação Lava-Jato já estava nas ruas.

"No último encontro, 2014, já com a Lava-Jato em andamento ele (Lula) me chama em São Paulo. Tem uma reunião no hangar da TAM no Aeroporto de Congonhas e ele me pergunta se eu tinha uma conta na Suíça com recebimentos da empresa SBM", contou Duque.

Segundo o executivo - preso e condenado a 20 anos por corrupção e lavagem de dinheiro em uma ação penal -, Lula teria dito que a então presidente Dilma "tinha recebido informação que um ex-diretor da Petrobras teria recebido dinheiro numa conta na Suíça, da SBM".

"Falei não, não tenho dinheiro da SBM nenhum, nunca recebi dinheiro da SBM. Aí ele vira para mim fala assim 'olha, e das sondas tem alguma coisa?' E tinha né, eu falei não, também não tem", contou o ex-diretor.

Provas

Duque atribuiu a Lula a seguinte frase: "Olha, presta atenção no que vou te dizer. Se tiver alguma coisa não pode ter, entendeu? Não pode ter nada no teu nome entendeu?"

"Entendi, mas o que eu ia fazer? Não tinha mais o que fazer. Aí ele falou que ia conversar com a Dilma, que ela estava preocupada com esse assunto e que ia tranquilizá-la", relatou Duque em seu depoimento.

"Nessas três vezes ficou claro, muito claro para mim, que ele tinha pleno conhecimento de tudo, tinha o comando", acrescentou o ex-diretor.

Foi Duque quem pediu para ser novamente ouvido por Moro. O candidato a delator assumiu que cometeu "ilegalidades".

"Mas quero pagar pelas ilegalidades que eu cometi. Se for fazer uma comparação com o teatro, da situação que a gente vive, sou um ator, tenho papel de destaque nessa peça, mas não sou nem o diretor, nem o protagonista dessa história". Ele afirmou ainda que quer "passar essa história a limpo".

OAS

O ex-diretor da OAS, Agenor Franklin Medeiros, afirmou, na quinta-feira (4), que, a exemplo da Odebrecht, a construtora também tinha um setor destinado aos pagamentos de propina.

Interrogado por Moro, ele admitiu pagamentos irregulares em contratos da Petrobras e disse que os pagamentos eram distribuídos por uma área da OAS comandada por um outro executivo do grupo, Mateus Coutinho, condenado em primeiro grau, mas absolvido pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região.

"Existe uma área da empresa que trabalha na parte de vantagens indevidas. Uma área chamada 'Controladoria', onde doações a partidos até de forma oficial saíam. Nessa época, o gerente era o Mateus Coutinho. Ele se reportava ao diretor financeiro. Na época era Sérgio Pinheiro", relatou o ex-diretor da OAS.

Em novembro de 2014, Coutinho foi preso na Operação Juízo Final, junto a outros executivos da OAS, inclusive o ex-presidente da empreiteira, Léo Pinheiro.

Na ação da Juízo Final, Coutinho foi condenado a 11 anos de prisão por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O executivo recorreu ao TRF-4 e foi absolvido.

Defesa

O advogado Cristiano Zanin Martins, advogado de Lula, declarou que o executivo Agenor Franklin Medeiros e o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro - que depôs há duas semanas no caso tríplex - "encontram-se na mesma situação".

"Agem na perspectiva de receber benefício no momento em que depõem como réus, sem o compromisso de dizer a verdade. Foi nessa condição o depoimento de Medeiros".