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(Foto: Reprodução)

'OPERAÇÃO VALENTINA': Bando fez saques no exterior e furtou até R$ 40 mil em um dia.

O principal alvo da operação já havia cometido fraudes. Em 2008 ele invadiu a conta da Xuxa.

08/05/2017

A ostentação de farras, bebidas e viagens de um grupo de fraudadores cearenses custou caro para mais de mil clientes do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal (CEF) e Itaú, que tiveram suas contas invadidas e seu dinheiro retirado através de golpes. O bando liderado por Arthur Franklin de Sousa Lima, conseguiu furtar até R$ 40 mil em um dia, conforme a Polícia Federal (PF). Os suspeitos chegaram a ir ao exterior fazer saques no Paraguai e na Argentina, no intuito de burlar a segurança dos bancos brasileiros.

A princípio, 13 pessoas supostamente envolvidas com o esquema foram presas pela PF, no último dia 11 de abril, durante a deflagração da 'Operação Valentina'. O bando teria desviado R$ 7,5 milhões das vítimas, em golpes que aconteciam diariamente. No dia 14 de abril, a Justiça Federal decidiu manter todas as prisões temporárias e preventivas.

No dia 12 de abril, três supostos integrantes da organização foram soltos e no dia 15 mais outros três, todos eles presos temporariamente. Os outros sete permanecem encarcerados. No último dia 18 de abril, a Vara de Execuções Penais autorizou a transferência de Artur Franklin de Sousa Lima, Francisco Glauco Ferreira Pereira, Renato Vieira do Nascimento, Ítalo Queiroz Costa, Caio César Santos da Silva, José Syla Silveira Júnior e Leonardo Vieira dos Santos da carceragem da Superintendência da PF para o Sistema Penitenciário.

Artur Lima e Syla Júnior já são conhecidos da Polícia pela prática de fraudes. Em 2008, foram presos pela Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) da Polícia Civil, em posse de um cartão de crédito, em nome da apresentadora Maria da Graça Xuxa Meneghel. Quase uma década depois, o caso não foi julgado e os dois nunca foram punidos por isto.

Em maio de 2016, começaram a ser novamente investigados por fraudes, desta vez pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz) da PF. O delegado responsável pelas apuração que culminou na 'Operação Valentina', Madson Henrique Tenório, disse que há indicativos que alguns integrantes do bando preso agora tenham agido, em 2011, contra clientes da CEF. "Temos indícios da atuação de alguns, não de todos".

Núcleos

A PF identificou quatro líderes da organização. No entanto, Artur Lima se sobressai, conforme as investigações. "Ele articulava as ações da quadrilha e comandava diretamente, pelo menos, seis pessoas", afirmou Tenório. Foi ele quem motivou o nome da operação, já que 'Valentina' era o nome da cadela, que sempre expunha em fotos nas redes sociais. Não só Artur, mas também seus comparsas demonstravam um padrão de vida elevado e não tinham uma ocupação oficial ou de fachada, segundo a Polícia.

Mesmo as ações da quadrilha tendo sido descobertas e os detalhes do golpe comprovados pela PF, o delegado explica que dificilmente os milhões conseguidos de forma fraudulenta serão devolvidos. "A maior parte do dinheiro não será recuperada, porque eles gastaram. Viviam de ostentar com farras, bebidas, viagens, joias".

Alternativas

Madson Tenório explicou que a quadrilha 'espalhou' o dinheiro, para dificultar o rastreio quando a Polícia descobrisse o esquema. "O dinheiro foi muito pulverizado. Além do núcleo dos líderes havia muitos laranjas, que davam suas contas para receberem transferências, e boletos para que fossem pagos com desconto, além de receberem pequenas vantagens".

O delegado explica que o bando procurava alternativas para retirar o dinheiro das contas. "Eles tinham a senha, mas só podiam sacar mil reais por dia, então além do saque mandavam pessoas irem em estabelecimentos comerciais passar um cartão de débito clonado, ou pagavam boletos. Eram formas de retirar a mais o que não podiam sacar".

As viagens para o exterior também foram um jeito de burlar os dispositivos de segurança dos bancos, conforme a PF. "Faziam um cartão clonado, levavam para o exterior sem chip e faziam saques. Fizeram muitos saques no exterior".

O motivo das viagens eram os saques, mas no caso do Paraguai, os suspeitos também compravam mercadoria para trazer ao Brasil. "Alguns voltavam com um pouco de dinheiro e trocavam aqui em casas de câmbio. Outros compravam eletrônicos no Paraguai para vender".

Continuidade

Madson Tenório disse que as investigações continuam e que o material apreendido no dia que a operação foi deflagrada será analisado. Segundo ele, outros integrantes do esquema podem ser identificados com esta análise.

Conforme o delegado, o grupo que forneceu os softwares que invadiam as contas está sendo investigado. "Os suspeitos presos não têm conhecimento de técnicas de programação. Eles apenas compram um software que não foram eles que desenvolveram, só sabem operar. Os hackers, que estão sendo investigados, são os que fazem e vendem os softwares para as quadrilhas a preços altos".