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Lula chega à sede da Justiça Federal em Curitiba (PR), onde deu seu primeiro depoimento ao juiz federal Sergio Moro, da Lava-Jato. (Foto: Folhapress )

Depoimento de Lula tem novos trechos revelados.

Petista confirma ter se reunido com Sérgio Machado e Léo Pinheiro; citação a Marisa Letícia sobre tríplex gera crítica

12/05/2017

Curitiba. O depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sergio Moro, na última quarta-feira em Curitiba (PR), gerou diversas reações e teve novos trechos divulgados, ontem. Ele falou sobre seus encontros com o empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e com o ex-presidente da Transpetro (subsidiária da Petrobras), o cearense Sérgio Machado.

Lula confirmou que se reuniu com Machado, o delator que abalou a cúpula do PMDB, ao gravar conversas sobre um “acordão” para “estancar” as investigações, no mesmo dia em que esteve com Léo Pinheiro.

Era 3 de junho de 2014 e a Lava-Jato estava nas ruas desde março. “O senhor se encontrou com Léo Pinheiro nessa data?”, perguntou o procurador da República Julio Motta Noronha.

“Certamente encontrei, se está na minha agenda, encontrei”, respondeu Lula, ouvido pela primeira vez como réu da Lava-Jato. O petista é réu, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, por suposto recebimento de R$ 3,7 milhões em propinas da OAS, no tríplex do Guarujá (SP), que Lula nega dele.

“O senhor se recorda qual o assunto tratado?”, continuou o procurador. “Não. Pode ser viagem, pode ser a economia brasileira, que nesse momento estava numa situação muito delicada, pode ser a questão eleitoral”, respondeu Lula.

Sobre o encontro que teve com Machado, ele relatou: “O Sérgio Machado foi me convidar para a inauguração de um navio porque eu tomei uma atitude de colocar nome em um navio de personalidades brasileiras históricas”, disse Lula.

Lula confirmou ainda que Léo Pinheiro o visitou em São Bernardo do Campo (SP), mas que “não lembrava” da visita.

Lula disse ainda a Moro que o “Ministério Público não conhece o PT”, ao ser questionado sobre sua influência no partido e se tomou providências o ter conhecimento dos esquemas de corrupção na Petrobras. “Eu não tenho influência no PT, eu tenho influência na sociedade. Quando eu falo as pessoas me ouvem. Alguns ouvem, nem todos”, afirmou o ex-presidente durante o interrogatório em Curitiba.

Primeira-dama

As falas de Lula provocaram críticas, ontem. A força-tarefa da Operação Lava-Jato afirmou, em nota, que a defesa de Lula “prestou informação falsa à sociedade” na coletiva dos advogados após o depoimento.

A Federação Nacional dos Policiais Federais vai processar Lula por “denunciação caluniosa”. Em nota, a entidade afirmou que Lula “insinuou” que agentes federais teriam “plantado provas em seu apartamento”.

“A fala dele foi uma afronta à PF jamais ocorrida durante toda a Lava-Jato”, afirmou o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais.

A defesa do petista e o Ministério Público Federal pediram, ontem, que novas testemunhas sejam ouvidas no processo.

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos principais nomes da Lava-Jato, lamentou o fato de o petista ter imputado à ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em fevereiro, a intenção de adquirir o tríplex, objeto da ação pena.

“Infelizmente, as afirmações em relação à Dona Marisa a responsabilizando por tudo é um tanto triste de se ver feitas nesse momento até porque, como o ex-presidente disse, ela não está aí para se defender”.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), criticou também Lula por ter atribuído à ex-primeira dama. “Ter jogado a culpa na esposa falecida é algo inaceitável”.