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Ex-ministro da Fazenda de Lula e Casa Civil de Dilma, Palocci está preso desde setembro de 2016 e deve ser 2º petista graduado a fazer delação. (Foto: Reprodução)

Palocci começa a negociar delação com Lava-Jato.

Ex-ministro do PT afasta advogado de defesa, retoma conversas para delação premiada e cria tensão no empresariado.

13/05/2017

São Paulo. O ex-ministro Antonio Palocci decidiu negociar um acordo de delação premiada com os procuradores da Lava Jato. Na tarde da última sexta-feira (12), ele avisou seu advogado de defesa, José Roberto Batochio, que ele teria de se afastar do caso. Ele é o segundo petista graduado a decidir fazer delação, após o acordo do ex-senador Delcídio do Amaral.

A negociação será feita por dois advogados de Curitiba, Adriano Bretas e Tracy Reinaldet. Os dois já haviam sido contratados por Palocci, mas, sem explicações, o ex-ministro rompeu o acerto inicial.

Nesta semana Palocci retomou as conversas com os advogados e decidiu que partiria para a delação. Réu em dois processos em Curitiba, Palocci teme que suas condenações ultrapassarão os 30 anos de prisão. A reportagem apurou que o afastamento de Batochio foi uma exigência da força-tarefa. O próximo passo para Palocci será desistir do pedido de habeas corpus que está para ser julgado pelo Supremo.

O ministro Edson Fachin decidiu que o pedido não será julgado pela segunda turma do Supremo, que soltou quatro investigados da Lava-Jato em menos de uma semana: o ex-ministro José Dirceu, os empresários Eike Batista e José Carlos Bumlai e o ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu. A decisão de Fachin foi vista pela defesa de Palocci como uma manobra.

BNDES

Pesou na decisão a operação que a Polícia Federal deflagrou na última sexta-feira (12), em torno de repasses do BNDES para o grupo JBS, num total de R$ 8,1 bilhões. Palocci é apontado nas investigações como um dos intermediários dos financiamentos que geraram supostas propinas.

Outra influência na decisão de Palocci foi a delação da Odebrecht. Documentos apreendidos pela Polícia Federal apontam que o ex-ministro teria sido responsável por administrar repasses no valor de R$ 128 milhões entre 2008 e 2013.

Palocci era chamado de “Italiano” nos comunicados internos da Obebrecht sobre repasses para o PT. O ex-ministro ficou negando por meses que era o “Italiano”, mas o codinome foi confirmado por Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo.

O marqueteiro João Santana disse que Palocci combinou com ele que parte dos pagamentos da campanha de Lula em 2006 seriam feitos no exterior. Ex-ministro da Fazenda de Lula e Casa Civil de Dilma, Palocci foi preso em setembro de 2016 numa fase da Lava-Jato chamada Omertà, que quer dizer “lei do silêncio” no linguajar dos mafiosos.

A delação de Palocci é vista com potencial explosivo para atingir o sistema financeiro porque ele era o principal interlocutor do PT junto aos bancos. Ele deve citar alguns dos maiores empresários do país, como Joesley Batista, da JBS, e Abílio Diniz. Uma auditoria interna do Pão de Açúcar apontou que uma empresa de Palocci recebeu R$ 5,5 milhões do grupo entre 2009 e 2010 sem comprovação de que os serviços fossem prestados. Procuradores suspeitam que o pagamento possa ter relação com a 1ª campanha de Dilma.