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Resultado positivo do início do ano para a economia brasileira foi influenciado pela agropecuária. O período coincide com a safra. (Foto: Honório Barbosa)

Prévia do PIB no País sobe 1,1% e indica sinal de fim da recessão.

Avanço do 1º trimestre de 2017, divulgado pelo Banco Central, ocorreu na comparação com o 4º trimestre de 2016.

16/05/2017

Fortaleza/Brasília. Após cair por oito trimestres seguidos, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) indica que a economia brasileira voltou a crescer nos três primeiros meses deste ano. O indicador que antecipa a trajetória do Produto Interno Bruto (PIB) registrou alta de 1,12% no acumulado do primeiro trimestre de 2017 na comparação com o quarto trimestre de 2016, pela série ajustada do Banco Central (BC).

O dado foi divulgado na manhã de ontem pela autarquia. Esse é o primeiro crescimento para qualquer trimestre desde os últimos três meses de 2014, quando o IBC-Br subiu 0,21%. O índice do Banco Central incorpora projeções para serviços, comércio, indústria e agropecuária, bem como o impacto dos impostos sobre os produtos. A agropecuária, inclusive, ajudou no resultado positivo no início do ano, período que coincide com a safra.

Já na comparação do trimestre com igual período do ano passado, o índice subiu 0,29% pela série observada. Os dois indicadores trimestrais ficaram ligeiramente acima do que haviam previsto economistas do mercado financeiro.

Analistas indicavam que a expectativa de que alta do IBC-Br entre 0,60% a 1,30% no primeiro trimestre na comparação com o último trimestre de 2016, com mediana indicando alta de 1,10%. Na comparação entre os primeiros trimestres de 2017 e 2016, as previsões coletadas variaram de -2,80% a +0,20% com mediana apontando crescimento de +0,10%.


(Foto: Reprodução)

Revisão

Como de costume, o Banco Central revisou dados do Índice de Atividade Econômica na margem, na série com ajuste. O indicador do mês de fevereiro passou de 1,31% para 1,37%. Em janeiro, o IBC-Br passou de 0,62% para 0,37%. Em dezembro de 2016, o índice foi de -0,09% para -0,04. No caso de novembro, a revisão foi de 0,08% para 0,04%. O dado de outubro foi de -0,18% para a estabilidade e o de setembro, de 0,07% para 0,06%.

Conhecido como "prévia do BC para o PIB", o IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses. A previsão oficial do Banco Central para a atividade doméstica deste ano é de avanço de 0,5%.

Melhora

O economista Alex Araújo avalia os dados do IBC-BR como um sinal de melhora no País. Entretanto, ele indica que é necessário conter qualquer euforia.

"É um resultado positivo, que indica que estamos saindo da parte mais crítica da crise, mas ainda não dá para comemorar. Há ainda a questão do mercado de trabalho muito ruim. A última pesquisa do desemprego apontou 14 milhões de desempregados. Os resultados ainda não trazem benefícios concretos para a população", afirmou.

Conforme Araújo, o cenário do País, como um todo, não está favorável para um crescimento efetivo da economia. "A conjuntura ainda é muito negativa. Temos essa dependência, principalmente na questão da Reforma da Previdência, que reajustaria as finanças públicas", opinou.

Indicador do Ceará

O Banco Central informou que o cálculo dos índices de Atividade Econômica Regional, incluindo o referente ao Ceará (IBCR-CE), tiveram a metodologia modificada. Os indicadores do mês de março só serão divulgados na próxima sexta-feira (19).

Os dados cearenses serão revelados durante um evento sobre economia regional, que acontecerá no Auditório do Banco Central, em Fortaleza.

O evento, que será promovido pelo Instituto Fenasbac, contará com apresentação ministrada pelo Diretor de Políticas Econômicas do Banco Central, Carlos Viana. Ele foi Economista do Federal Reserve Bank of New York, professor de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e economista-chefe dos fundos de renda fixa e multimercados da BBA-Capital.

O vice-presidente do Banco do Brasil Carlos Hamilton e o Presidente do Sicoob Nordeste José Evaldo Campos também irão palestrar no encontro, que abordará características das atividades socioeconômicas, estudos e cenários regionais.

O evento começa às 8h30 para credenciamento e apresentação do Boletim Regional pelo Banco Central. Em seguida, começarão as palestras.

Mais informações:

Palestra Economia Regional. Sexta-feira (19), das 8h30 às 13h30, no auditório do Banco Central (Av. Heráclito Graça, 273). Inscrições: www.fenasbac.com.br

Opinião do especialista

'É cedo para análise otimista'

Ainda é cedo para um análise mais otimista, embora o crescimento tenha sido verificado. Tivemos uma variação negativa da atividade econômica de março em comparação a fevereiro, ainda dentro do trimestre. Esse comportamento não é linear, ainda não se mostrou assim, e podemos até dizer que pode haver algum componente errático. Ainda vamos ter os resultados do PIB, na métrica do IBGE, em que há uma expectativa que faça uma avaliação positiva, mas algo pequeno, em torno de 0,5%. E embora o IBC-BR seja uma prévia do PIB, tem uma metodologia diferente. É preciso ter cautela na análise por conta do comportamento de março mas, de qualquer forma, é um alento. Fazia muito tempo que não tínhamos uma variação trimestral positiva.

A nossa conjuntura ainda é bastante difícil. A nossa economia tem sido determinada pelo cenário político. Tivemos uma recessão muito aguda em 2015, quando o PIB caiu 3,8% e grave em 2016, quando caiu 3,6%. A expectativa é que outros institutos de pesquisa, apontem uma pequena variação positiva, mas algo em torno de meio por cento. E esse número fica condicionado ao desdobramento da crise política. Ainda temos um ambiente de muita incerteza em todo o País.

Ricardo Eleutério Rocha - Professor e economista