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O petista negou irregularidades apontadas pelos delatores , mas a força-tarefa da Operação vê indícios de tentativas de prejudicar as investigações dos crimes relatados e pode abrir novo inquérito contra o ex-presidente. (Foto: Ag. France Presse)

Lava-Jato avalia acionar Lula por 'obstrução'.

Ontem, Moro negou pedido da defesa do petista quanto a novos depoimentos no caso do tríplex no Guarujá.

16/05/2017

Curitiba. O depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz federal Sergio Moro reforçou os indícios reunidos por investigadores da Operação Lava-Jato, em Curitiba, de atuação do petista em atos de obstrução à Justiça e embaraço à força-tarefa que apura o maior escândalo de corrupção do País.

As suspeitas devem provocar a abertura de novo inquérito contra Lula, na capital do Paraná, e resultar em mais um processo criminal contra o petista.

A força-tarefa avalia existir elementos de que Lula, ao longo dos três anos de investigações ostensivas, buscou obstruir o trabalho da Justiça, com episódios que envolvem suposta destruição de provas e intimidação de autoridades. A defesa do ex-presidente afirma que a Lava-Jato abriu "uma nova linha de ataque" contra o petista.

O ex-presidente já é réu em cinco ações penais, duas delas abertas por Moro. Na 10ª Vara Federal do Distrito Federal, o petista é réu, desde julho de 2016, acusado de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, o que também teria caracterizado o crime de obstrução à Justiça.

Em quase cinco horas de interrogatório, em Curitiba, na quarta-feira passada (10), Lula confirmou ter se reunido com três alvos da Lava-Jato - um deles delator e outros dois em negociação de acordo-, em 2014, quando as investigações já haviam sido deflagradas. Lula, no entanto, negou irregularidades.

O ex-presidente narrou encontros com o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e com o ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro. Os dois, também réus da Lava -Jato e já condenados, contaram que Lula teria pedido para que provas fossem destruídas.

Para três investigadores da força-tarefa ouvidos pela reportagem, sob a condição de não ter os nomes revelados, o ato de buscar informações sobre provas de crimes confirma a acusação de que Lula não era alheio ao esquema de corrupção na Petrobras. Procuradores e policiais federais dizem que esses indícios fornecem elementos para aprofundar apurações de novos crimes.

O principal episódio contra Lula refere-se ao caso do tríplex do Guarujá (SP), que o petista nega ser seu. Já Duque, indicação do PT na Petrobras, disse a Moro que encontrou Lula em junho de 2014. O ex-diretor atribuiu a Lula a frase: "Olha, presta atenção no que vou te dizer: se tiver alguma coisa não pode ter, entendeu? Não pode ter nada no teu nome entendeu?".

Também está na mira da Lava-Jato o encontro que Lula confirmou ter ocorrido com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, em 3 de junho de 2014, uma hora antes de se encontrar com Pinheiro.

Machado virou delator e abalou a cúpula do PMDB ao gravar conversas sobre um "acordão", interpretado como uma tentativa de "estancar" a Lava-Jato. Segundo o ex-presidente, Machado o convidara para a inauguração de um navio.

Dilma

Ontem, Moro negou à defesa de Lula e ao Ministério Público Federal ouvir mais testemunhas na ação penal do caso tríplex. Os advogados do petista e a força-tarefa da Lava-Jato solicitaram em comum o depoimento da arquiteta da OAS Jessica Monteiro Malzone. Moro negou "a oitiva de Jessica Malzone por não reputar a prova relevante".

Já o publicitário João Santana, marqueteiro das campanhas presidenciais de Dilma, afirmou em delação premiada à Procuradoria-Geral da República que a ex-presidente "não tinha uma relação de confiança" com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT preso na Lava-Jato. Segundo Santana, a petista pediu ao seu ministro da Fazenda na ocasião, Guido Mantega, que assumisse o lugar de Vaccari na arrecadação de Caixa 2 para a campanha.