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(Foto: Reprodução)

Veículos fumacê têm baixa eficácia contra aedes aegypti.

Somente nesta semana, 26 bairros e 3.370 quarteirões da Capital devem ser percorridos pelos veículos.

17/05/2017

O barulho e o cheiro forte da "fumaça" antecipam a passagem dos veículos já conhecidos - e às vezes temidos - pelos fortalezenses: os carros fumacê. Devido ao avanço crescente das arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, principalmente dengue, chikungunya e zika, a pulverização de inseticida em bairros da Capital, onde os índices de infestação são alarmantes, voltou a figurar entre as ações de combate ao vetor. A medida, entretanto, esbarra em diversos obstáculos e pode, no fim das contas, ter baixa eficácia.

Somente nesta semana, desde segunda e até a próxima sexta-feira, 26 bairros e 3.370 quarteirões de Fortaleza devem ser percorridos pelos veículos, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Em todo o Estado, conforme a Secretaria Estadual (Sesa), 30 carros fumacê são disponibilizados aos municípios que solicitarem o recurso. Até este mês, 19 cidades cearenses receberam a pulverização itinerante e mais 17 estão com o processo em andamento.

A utilização da pulverização UBV, nome oficial para os equipamentos de fumacê, é recomendada pelas Diretrizes Nacionais para a Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue do Ministério da Saúde (MS) para locais onde os índices de infestação são altos. Apesar disso, a medida ainda é avaliada por especialistas como pouco eficaz, já que depende de diversos fatores externos para atingir o objetivo de eliminar os mosquitos - e cerca de 81% dos criadouros do Aedes aegypti estão dentro das casas, de acordo com a Sesa.

Um dos obstáculos, como aponta o gerente da Célula de Vigilância Ambiental e Riscos Biológicos da SMS, Nélio Morais, é o preconceito da própria população, que muitas vezes fecha as entradas de ar das casas e impede o contato das moléculas de inseticida com os insetos transmissores das doenças - únicos de fato atingidos pela substância. "O fumacê não causa prejuízo algum à saúde das pessoas, elas precisam é abrir as portas e janelas quando o carro passar", recomenda o médico infectologista Anastácio Queiroz.

O apelo é reforçado por Nélio Moraes. "As pessoas precisam colaborar. A fumaça precisa ocupar os espaços externos, como os quintais, e internos, porque o mosquito fica atrás de cortinas, roupas e móveis, tornando o acesso do produto químico mais desafiador. Se tomada sozinha, a medida é de baixíssima eficácia pois, a cada mosquito morto, outros 100 estão nascendo.

Sesa

A coordenadora de promoção e proteção à saúde da Sesa, Daniele Queiroz, afirma que, no Ceará, há 30 anos, o fumacê é utilizado como estratégia pontual, acompanhado de medidas preventivas e educacionais de combate ao mosquito direcionadas à população. Nos últimos anos, o uso da técnica diminuiu acompanhando o crescimento dos centros urbanos.

"Antes, as casas possuíam muros baixos. A população estava mais nas residências e abria as portas, permitindo que a borrifação entrasse Hoje, o cenário é diferente. Mas como estamos vivendo um período crítico de aumento da infestação, houve uma recomendação técnica para que essa estratégia voltasse a ser utilizada". Além disso, Daniele destaca que o fumacê tem impacto no meio ambiente, pois atinge a fauna e a flora . (Colaboraram Theyse Viana e Ana Lídia Coutinho).