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A defesa do ex-presidente da OAS afirmou que as informações estavam anotadas nas agendas dos celulares do próprio Léo Pinheiro. (Foto: Folhapress)

Pinheiro entrega registros 'contra' Lula à Justiça.

Empreiteiro sustentou que apartamento no Guarujá é do petista, que nega ser dono do imóvel localizado em SP.

17/05/2017

Curitiba. O ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, entregou à Justiça "registros de encontros" com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

A defesa de Léo Pinheiro afirmou que os registros dos encontros estavam na agenda dos celulares do empreiteiro.

Um dos arquivos entregues por Léo Pinheiro tem 41 páginas. O documento indica três reuniões no Instituto Lula: em 23 de fevereiro de 2012, em 27 de julho de 2012 e 16 de abril de 2013. O material foi anexado à ação penal na qual Léo Pinheiro e Lula são réus.

Os documentos foram entregues com o objetivo de corroborar o depoimento do empreiteiro. Ao juiz federal Sergio Moro, o executivo afirmou que o tríplex de Guarujá (SP) "era de Lula".

O ex-presidente é acusado pelo Ministério Público Federal de receber R$ 3,7 milhões em benefício próprio - de um valor de R$ 87 milhões de corrupção - da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012. As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira por meio do tríplex 164-A no Edifício Solaris, no Guarujá, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantido pela Granero de 2011 a 2016.

Segundo a denúncia da Lava-Jato, em fevereiro de 2014, Léo Pinheiro solicitou a Fábio Yonamine, então presidente da OAS Empreendimentos, que o apartamento 164-A do Condomínio Solaris fosse preparado "com sua limpeza e retoques na pintura" para a visita de Lula.

Em depoimento a Moro, Lula confirmou que esteve uma vez no tríplex, em fevereiro de 2014.

Agenda

Seis dias depois de Lula ter dito a Moro que não se sente responsável pela corrupção na Petrobras porque o governo não participa da administração da estatal, os procuradores da Lava-Jato anexaram ao processo que discute o tríplex do Guarujá uma agenda que mostra as reuniões de Lula com representantes da empresa. Entre 2003 e 2010, foram pelo menos 27 encontros para discutir projetos da estatal, dentro e fora do Brasil - em média, três reuniões por ano.

Os temas discutidos foram de investimentos em refinarias a projetos incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento.

Os temas discutidos foram de investimentos em refinarias a projetos incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento.

Investigadores da Lava-Jato sustentam que entre as melhorias no imóvel a empreiteira teria providenciado a colocação de um elevador - o ex-presidente já negou taxativamente que tivesse solicitado o equipamento ao empreiteiro Léo Pinheiro.

Zelotes

A Polícia Federal indiciou Lula por envolvimento na venda de uma medida provisória em 2009 quando ainda era presidente.

Esse caso envolve a edição de medida provisória (MP) com incentivos fiscais a montadoras de veículos. A investigação da PF é um desdobramento da Operação Zelotes.

Caso o Ministério Público Federal acate a sugestão da PF e denuncie o ex-presidente, Lula poderá se tornar réu no segundo processo sobre a negociação de MPs - ele já é acusado de participar em caso envolvendo a Medida Provisória 627/2013, que também prorrogou incentivos fiscais a montadoras de veículos.

No entendimento da PF, o ex-presidente praticou o crime de corrupção passiva ao participar do esquema para aprovação da MP 471, a chamada MP do Refis.

ONU

Os advogados de Lula voltam à ONU nesta semana com o objetivo de apresentar novos dados e documentos ao Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas, tentando reforçar a tese de que existe um processo nos tribunais que não atende ao estado de direito no Brasil.

O ex-presidente se diz vítima de perseguição e nega os crimes apontados pelos delatores.