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Jornal carioca "O Globo" publicou, ontem, flagrante que consta em relatório da PF mostrando Lula com empreiteiro da OAS no sítio em Atibaia. (Foto: Reprodução)

Foto de Lula e sócio da OAS em sítio é anexada.

Defesa do petista disse que imagem não prova nada e que divulgação visa 'prejudicar' o ex-presidente.

18/05/2017

Brasília. O Ministério Público Federal anexou ao processo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de ter recebido vantagens indevidas da OAS uma foto em que o petista aparece no sítio em Atibaia (SP) ao lado de Léo Pinheiro, sócio da empreiteira.

A foto, publicada ontem pelo jornal "O Globo", consta em relatório da Polícia Federal do dia 23 de março, também anexado. No documento, o delegado Márcio Adriano Anselmo conclui que há elementos que apontam para "o pagamento de benfeitorias nos imóveis investigados" no valor de R$ 1,2 milhão pelas empreiteiras OAS, Odebrecht e por José Carlos Bumlai, amigo de Lula.

Lula também aparece em outra foto ao lado de Paulo Gordilho, ex-arquiteto da empreiteira.

Tanto a foto com Gordilho como a com Pinheiro já estavam em outro relatório de junho do ano passado.

Tanto a foto com Gordilho como a com Pinheiro já estavam em outro relatório de junho do ano passado.

Esses projetos, como a planta da cozinha e imagens do cômodo decorado, também foram anexados ao processo pelo Ministério Público Federal.

Gordilho ainda afirmou a Moro que o tríplex em Guarujá (SP) estava reservado para o ex-presidente. A defesa de Lula nega que o apartamento pertença a ele e diz que o ex-presidente não cometeu irregularidades.

À Polícia Federal, no ano passado, Lula afirmou que não sabia quem era Paulo Gordilho.

No depoimento a Moro em 10 de maio, depois que as fotos no sítio foram juntadas ao relatório, ele se retificou: "Eu vi no depoimento dele (Pinheiro), ele dizendo que foi lá em casa e depois eu vi o dr. Paulo, que eu não sabia que era Paulo Gordilho, só sabia que era Paulo, que diz que foi lá em casa".

Além de Lula e Gordilho, Léo Pinheiro também responde ao processo. Todos os réus e testemunhas foram ouvidos por Moro, na Justiça Federal de Curitiba, e aguardam sentença. A decisão sairá depois que que as partes apresentarem suas manifestações finais, que devem ser enviadas até 20 de junho.

Agendas

No mesmo dia em que juntaram a foto de Lula no sítio de Atibaia, os procuradores da Lava-Jato protocolaram documentos no processo sobre o apartamento tríplex de Guarujá (SP) que contradizem declarações de Lula no depoimento a Moro.

No interrogatório, Lula disse que desconhecia ilegalidades na estatal e afirmou que um presidente da República "não tem reunião específica com diretor" da Petrobras, mencionando duas exceções em seu governo. O Ministério Público Federal, porém, anexou no processo agendas que mostram ao menos 23 reuniões e viagens de Lula com diretores da estatal em seus dois mandatos, incluindo Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Jorge Zelada -todos já condenados em processos da operação.

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, disse que a foto "nada prova".

Em nota, ele diz que, "ao permitir a juntada de uma foto que não tem qualquer relação" com os contratos que constam no processo ou com o tríplex em Guarujá, "cria-se mais uma situação que privilegia o espetáculo midiático para prejudicar a defesa do ex-presidente e a presunção de inocência que lhe é assegurada pela Constituição Federal e pelos tratados internacionais que o Brasil subscreveu".

A defesa diz que 73 testemunhas ouvidas na ação penal "provaram a inocência de Lula" e "a foto de Léo Pinheiro em um sítio em Atibaia que Lula e seus familiares frequentaram em nada altera essa situação".

"O que essa foto pode mostrar? Que Lula é proprietário do triplex no Guarujá? Que os três contratos citados na denúncia geraram vantagens indevidas para Lula? É evidente que não. Mostra apenas que Léo Pinheiro esteve em um sítio que pertence a Fernando Bittar e que o Ministério Público jamais conseguiu provar o contrário -e jamais conseguirá porque essa é a realidade dos fatos", afirmou.

Prazo

Terminou o prazo para acréscimo de novos documentos na ação em que Lula é acusado de receber vantagens da OAS. Em despacho ontem, o juiz Sergio Moro lembrou que defesa e acusação tiveram prazo de cinco dias para juntar novos documentos, o que já foi feito pela defesa de Lula e pelo MPF.