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A autoridade monetária afirmou ainda que "não existe a possibilidade de antecipação da decisão a qualquer agente, público ou privado. (Foto: Reprodução)

Temer teria adiantado corte de juros à JBS; Banco nega.

19/05/2017

Rio/Brasília. O Banco Central (BC) afirmou ontem que "as decisões do Copom são tomadas apenas durante as suas reuniões e são divulgadas imediatamente após seu término por meio de Comunicado no sítio do Banco Central da internet". O comentário do BC, que foi enviado a jornalistas, surgiu após as notícias na imprensa de que o presidente Michel Temer teria adiantado, ao empresário Joesley Batista, da JBS, o resultado de encontro do Banco Central, no qual a instituição realizou o corte da Selic (taxa básica de juros) em um ponto porcentual.

A autoridade monetária afirmou ainda que "não existe a possibilidade de antecipação da decisão a qualquer agente, público ou privado". "Sinalizações sobre possíveis futuras decisões são emitidas nos documentos oficiais do Banco Central".

Revisão para baixo

A denúncia da direção da JBS envolvendo o presidente Michel Temer, dada com exclusividade pelo colunista do Globo, Lauro Jardim, levou o mercado a começar a revisar para baixo as previsões para o corte da taxa básica de juros Selic, que há uma semana haviam sido elevadas para até 1,25 ponto percentual, para a próxima reunião do (Copom), no fim deste mês.

A mínima de aposta para o corte, agora, chega a 0,25, segundo avaliação da Mirae Asset Wealth Management.

"O mercado está sem probabilidades corretas porque os mercados estão quase todo nos limites de alta. Mas, se analisarmos assim, o mercado precifica 100% de chance de queda de apenas 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Procon" diz Pablo Stipanicic Spyer, diretor de Operacões da Mirae Asset.

A corretora Gradual investimentos também divulgou relatório revendo sua aposta de corte para apenas 0,75 ponto. "Dada a alteração abrupta do cenário político, alteramos o call de corte da Selic. O câmbio e a bolsa reagiram de maneira violenta e a curva-pré empinou como esperado", justificou.

A aceleração da queda da taxa de juros básica Selic, assim reduzindo o juro real, é tida como essencial, junto com a queda da inflação, para estimular consumo e investimentos e, consequentemente, a retomada da economia. Atualmente, a taxa está em 11,25% ao ano e as previsões, até ontem, eram de que a taxa podia cair a um patamar mínimo de 7,5%.

Nova crise

Em um momento em que as empresas vislumbravam melhores resultados, após a economia dar os sinais de recuperação, a citação do presidente Michel Temer na delação dos donos da JBS pode pôr tudo a perder, na opinião de executivos e empresários ouvidos pela reportagem. Para evitar que uma nova crise econômica se instale no País, eles defendem a apuração das denúncias e a manutenção da agenda de reformas.

O presidente da Suzano, Walter Schalka, participou esta semana de um evento do Itaú em Nova York, e disse ter notado a rápida virada do humor do investidor internacional sobre o Brasil. "Ontem (quarta-feira), a visão sobre o País era muito positiva. Hoje (ontem), todo mundo passou a vender o Brasil", disse o executivo, referindo-se ao impacto da delação da JBS.

Renúncia

Schalka afirmou que a melhor solução para o País é a renúncia imediata do presidente. "Acho que a melhor alternativa para o Brasil agora é a renúncia. A segunda melhor é a chapa Dilma-Temer ser cassada. A terceira é o impeachment. E a quarta e pior alternativa é a permanência de Temer sem legitimidade e credibilidade", disse.

O presidente da multinacional americana Cargill no Brasil, Luiz Pretti, afirmou que a economia parecia no caminho de uma retomada, ainda que lenta, baseada na queda dos juros, na recuperação do emprego e nas reformas previdenciária e trabalhista. De repente, frisou ele, a maré mudou. "Passei a manhã explicando a nossos acionistas nos Estados Unidos o que estava acontecendo. É difícil explicar, pois, até a semana passada, o Brasil estava indo pelo caminho certo, tinha um projeto de governo", avaliou ele.

Reformas

Outros dois empresários - Pedro Passos, sócio-fundador da Natura, e Luiza Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza - lamentaram o fato de que a nova crise política pode atrapalhar as reformas econômicas no Brasil. "Adiar esse projeto (de reformas) prejudica o País e é uma involução. Essa descontinuidade do poder gera incertezas, e não é bom para o País. Temos de ter calma", ressaltou o fundador da Natura.