Carregando...

Publicidade

Para os líderes empresariais, as mudanças propostas no projeto de lei que altera a CLT vão fazer as contratações crescerem. (Foto: Fabiane de Paula)

Para empresas, aprovar reforma é o importante.

Empresários temem que crise política afete as mudanças na CLT em discussão e defendem aprovação de imediato;

24/05/2017

Publicado ontem (23) no portal da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e com votação confirmada para o próximo dia 30 de maio, o projeto de lei da reforma trabalhista, que modifica diversos pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), é defendido pelos setores produtivos cearenses como uma das formas mais seguras de combater a crise econômica. No entanto, a turbulência política preocupa os empresários, que rechaçam a possibilidade de a economia parar novamente à espera de uma solução administrativa para o Executivo brasileiro.

"Vimos com muita dificuldade a matéria conseguindo avançar e vamos torcer para que nossos parlamentares deem algo de bom e construtivo para o País", destaca o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), Freitas Cordeiro. Para ele, "os líderes estão sentindo a necessidade de trabalhar. Há um avanço, uma preocupação (com a situação econômica), mas não é fácil nas casas legislativas abstrair esses problemas, pois a crise é política".

Freitas louva o trabalho desempenhado pelo senador cearense Tasso Jereissati, que garantiu empenho em votar o projeto na comissão que preside. Sobre a votação no plenário do Senado, o líder do varejo cearense diz reconhecer a dificuldade de aprovar o texto, mas destaca a necessidade de direcionar a economia a um rumo crescente como justificativa para levar adiante o projeto, apesar do momento político difícil.

"A gente sabe que é um momento muito delicado, o governo federal não tem credibilidade do seus pares e nem da população. É difícil, mas é uma medida muito necessária", afirma o vice-presidente do Sindicato das Indústrias Químicas, Farmacêuticas e da Destilação e Refinação de Petróleo o Ceará (Sindiquímica-CE), José Dias, sobre o projeto de reforma trabalhista.

Dias ainda recorda o cenário anterior à delação de um dos sócios do grupo J&F, Joesley Batista, como favorável à aprovação tanto da reforma trabalhista quanto da previdenciária - ambas em curso no Congresso Nacional e consideradas de suma importância pelo governo federal e o setor produtivo para a retomada do crescimento econômico brasileiro.

Mas o jogo virou quando o governo de Michel Temer foi abalado com as gravações em áudio e vídeo entregues por Joesley à Procuradoria Geral da República (PGR) e à Polícia Federal, na qual o senador Aécio Neves e o próprio presidente tratam de assuntos pertinentes às empresas do empresário e também de negociação de propina paga a políticos. "É um momento complicado, difícil, e a falta de credibilidade é grande e vai atrapalhar, mas estamos na esperança que (o projeto de lei) passe e seja aprovado (no plenário do Senado)", afirma José Dias.

Positivo para o País

Ambos os líderes empresariais defendem a reforma trabalhista como forma, inclusive, de estímulo e proteção ao emprego no País. "Essa reforma trabalhista, se ela passar, e nós estamos torcendo que passe, seria algo positivo que há muito tempo não se constrói no Brasil. É muito tímido, mas é um passo", reforça Freitas Cordeiro, afirmando ainda que o texto "é muito tímido, mas já é um passo positivo".

"Volto a te dizer que não tem nada de extraordinário (neste projeto) em relação a países avançados economicamente, mas estamos numa situação tão ruim que toda melhoria é bem recebida", completa.

Na avaliação do presidente da FCDL-CE, "a reforma dá uma liberdade maior de se contratar, traz mais equilíbrio". Ponto de vista também defendido por José Dias, o qual aponta a dificuldade de o empresário contratar funcionários pela legislação trabalhista atual. "Quando pensa em contratar, pensa é na carga tributária na hora da demissão e desiste", afirma.

Contra radicalismos

Freitas ainda observa a necessidade de debater o tema sem radicalismos, referindo-se ao debate com os sindicatos dos empregados. Ele afirma que "todos os meios produtivos sofrem com essa legislação trabalhista no Brasil por ela não ter nada de avançado, pois não ajuda nem o próprio empregado".

"É difícil trabalhar nesse universo, onde não se admite o contraditório e estabelecer diálogo com esse pessoal radical. O projeto atual só beneficia a política de sindicato, que manipulam os próprios empregados", critica o presidente da FCDL-CE sobre a manutenção de alguns pontos que a reforma publicada no portal da CAE não retira.