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Peemedebista é investigado em inquérito policial sobre suspeita de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa depois da divulgação do áudio gravado pelos donos do Grupo JBS. (Foto: Presidência da República)

PF terá 5 dias para concluir inquérito sobre Temer.

Chefe do Executivo gravou vídeo pregando equilíbrio entre os Poderes da República, após mal-estar com STF.

13/06/2017

Brasília. O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu, ontem, prorrogar por mais cinco dias o prazo para a Polícia Federal encerrar a investigação sobre o presidente Michel Temer. O pedido de prorrogação foi solicitado pela PF, que alegou necessidade de mais tempo para concluir as investigações, iniciadas a partir das citações ao nome do presidente nas delações dos executivos da JBS.

Na sexta-feira (9), o advogado Antônio Mariz de Oliveira, representante de Temer, informou ao ministro que o presidente decidiu não responder às perguntas enviadas pela PF no inquérito. Para a defesa de Temer, o questionário é um "acinte à sua dignidade pessoal e ao cargo que ocupa".

Além disso, a defesa pediu o arquivamento das investigações e fez críticas ao teor do questionário enviado pelos delegados.

Na mesma decisão de ontem, Fachin concedeu o mesmo prazo de cinco dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre o pedido de arquivamento.

Vídeo

Para tentar arrefecer o mal-estar com o STF, Temer gravou pronunciamento para defender a independência e o equilíbrio entre os Poderes da República.

O vídeo, que será divulgado nas redes sociais, tem como objetivo refutar informação de que o peemedebista teria pedido para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) investigar a relação do relator da Lava-Jato com Joesley Batista, executivo da JBS.

Na gravação, o peemedebista prega a harmonia entre o Executivo, Judiciário e Legislativo e defende que não desistiu da aprovação das reformas para equilibrar as contas do país.

A informação sobre a suposta investigação contra Fachin foi divulgada pela "Veja". No sábado (10), a presidente do STF, Cármen Lúcia, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reagiram a ela.

Temer telefonou para Cármen Lúcia na noite de sexta-feira (9). Segundo o Palácio do Planalto, o presidente negou o episódio, e a ministra disse compreender, mas informou que sairia em defesa do tribunal.

Em mais uma demonstração de resistência da base do governo contra as investigações que recaem sobre o presidente, parlamentares buscam trazer Fachin e também membros do Ministério Público para depor em comissões do Congresso. A nova tentativa está articulada para acontecer na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da JBS, que deve ser instalada nesta semana.

"Queremos de imediato ouvir os irmãos Wesley e Joesley Batista, o Ministério Público (MP) e o Judiciário. Queremos compreender esse método diferenciado de delação que permitiu a total liberdade para esses empresários", disse o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), que propôs a criação da comissão e que deve presidir o colegiado.

O senador Ataídes Oliveira afirmou que já tem os requerimentos de convocação prontos e deve apresentá-los tão logo a CPI seja instalada. A CPI da JBS será um colegiado composto por 16 senadores e 16 deputados. Ainda na fase de indicação de membros, a previsão é que a comissão seja instalada amanhã.

Crise

Essa não é a primeira ação da base de Temer contra o Ministério Público e o Judiciário. A delação da Odebrecht, que traz supostos áudios do presidente com delatores, foi o marco de uma nova crise no governo. Desde então, a base se prepara para contra-atacar e enfraquecer o trabalho de Fachin e do procurador-geral, Rodrigo Janot.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) impetraram, ontem, mandado de segurança, junto ao STF, contra Requerimento de Informações assinado pelo deputado Fausto Pinato (PP-SP) sobre Fachin. De acordo com a petição, o requerimento de informações subscrito por Pinato tem o objetivo de constranger Fachin, criar fatos políticos e obrigá-lo a se declarar suspeito no inquérito que investiga o presidente.

A ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, que no sábado foi dura ao comentar um suposto pedido do Michel Temer para que a Abin investigasse Fachin, emitiu nova nota, ontem, afirmando que "não adotará qualquer providência" sobre o assunto, que está, "por ora, esgotado".

A nova declaração da ministra diz que Temer negou ter acionado a Abin contra Fachin e que "não há o que questionar quanto à palavra do presidente".