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(Foto: Reprodução)

Obra em casa de filha de Temer em SP teve pagamento de R$ 100 mil em dinheiro vivo, diz fornecedor.

Responsável pelo pagamento seria a mulher do ex-coronel João Baptista Lima Filho. Ele foi citado na delação da JBS como tendo recebido propina de R$ 1 milhão para o presidente.

Fonte: G1
14/06/2017

Um dos fornecedores que trabalharam na obra da casa de uma das filhas do presidente Michel Temer (PMDB) disse que recebeu R$ 100 mil em dinheiro vivo pelos serviços. A responsável pelo pagamento seria a arquiteta Maria Rita Fratezi, mulher e sócia do ex-coronel da Polícia Militar João Baptista Lima Filho. Conhecido como Coronel Lima, ele foi citado na delação da JBS como tendo recebido propina de R$ 1 milhão para o presidente.



Coronel citado pela JBS pode estar ligado a obra para filha de Temer. (Vídeo: Reprodução/G1)

O imóvel investigado pela Polícia Federal (PF) é uma casa de alto padrão no Alto de Pinheiros, bairro nobre de São Paulo. Em 2011, uma das filhas do então vice-presidente Michel Temer, Maristela Temer, comprou o imóvel de 350 metros quadrados. Em 2014, a casa passou por uma grande reforma.

Nos últimos 10 dias, a produção do Jornal Nacional foi atrás de fornecedores e profissionais que trabalharam na obra. Um deles, que não quis gravar entrevista, disse que recebeu pelo serviço R$ 100 mil em dinheiro vivo.

A responsável pelo pagamento foi a arquiteta Maria Rita Fratezi, mulher e sócia do Coronel Lima. Amigo de Temer há mais de 30 anos, o coronel é investigado na Operação Patmos, que buscou provas sobre suposto pagamento de propina ao presidente da República.

O arquiteto Carlos Roberto Pinto foi o único que aceitou falar sobre a reforma na casa da filha do presidente. Ele contou que recebeu R$ 10 mil para dar entrada e cuidar da aprovação do projeto na Prefeitura. O pagamento foi feito pela própria Maristela Temer, por transferência bancária, em três vezes.

Ele acrescentou que foi contratado por uma antiga colega de trabalho: a mulher do coronel. “Foi a Maria Rita Fratesi. Ela é arquiteta e a Maristela era cliente dela para fazer essa obra”, disse.

O arquiteto disse que sempre procurava Rita para solicitar a documentação necessária. “Ela era incumbida de fazer a aquisição tanto da mão de obra como dos materiais.”, afirmou.

Maria Rita Fratezi e o Coronel Lima são sócios na PDA Projeto e Direção Arquitetônica LTDA. A PDA está registrada num imóvel próximo à Argeplan, a empresa de projetos de engenharia do Coronel Lima.

Argeplan

A produção do JN chamou, mas ninguém atendeu na PDA. A impressão é a de que o único acesso ao imóvel é pela entrada da Argeplan. A Polícia Federal fez buscas na Argeplan no mês passado, durante a Operação Patmos, e apreendeu documentos e um recibo que tratavam da reforma na casa de Maristela Temer.

No apartamento do coronel, os investigadores encontraram um e-mail da construtora que fez a obra endereçado a Maria Rita Fratezi. Nele, o empreiteiro cobrava R$ 40 mil pela conclusão de uma etapa da obra. Não se sabe se esse valor chegou a ser pago.

Uma reportagem do jornal “O Globo”, na edição do dia 6 de junho, revelou que um serviço de marcenaria foi pago pela Argeplan. Ao jornal, o empresário Marcos Lourenço, dono da marcenaria, confirmou o pagamento.

Delações da JBS

O nome do Coronel Lima aparece nas delações da JBS. Em depoimento, o executivo Ricardo Saud disse que mandou entregar uma propina de R$ 1 milhão, em dinheiro, para o coronel, a pedido de Michel Temer.

“O Temer me deu um papelzinho e falou: ‘Olha, Ricardo, tem 1 milhão que eu quero que você entregue em dinheiro nesse endereço aqui’. Me deu o endereço. Na porta do escritório dele, na calçada, só eu e ele na rua, na Praça Panamericana. Eu peguei e mandei o Florisvaldo lá. Falei: ‘Vai lá saber o que que é isso’”, disse Saud em sua delação. “E lá funciona uma empresa que já foi investigada na Lava Jato, que é a tal de Argeplan.”

Ricardo Saud também disse que confirmou com Temer que o dinheiro havia sido entregue. “Eu confirmei depois ao presidente. Falei: ‘Ó, presidente, fui lá, o cara é grosso, mas tá tudo certo’."

O procurador questionou se confirmou com Temer que o dinheiro foi entregue. Saud respondeu: “Toda entrega de dinheiro comigo eu confirmei com todos”.

Ricardo Saud também revelou que conversou com o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures sobre o Coronel Lima, quando eles acertavam quem seria a pessoa que iria receber a mala com R$ 500 mil. “Eu autorizei o Florisvaldo entregar um R$ 1 milhão a mando do Michel Temer para o Coronel Lima lá, o cara que foi secretário de segurança de São Paulo, eu entendi que era ele que ia continuar, né. Aí eu falei com ele: ‘Vamos continuar onde eu já entreguei’. Mas aí ele disse: ‘Não, não... Lá os canais estão congestionados’.”

Na tarde desta terça (13), a produção do Jornal Nacional foi à Argeplan, mas o porteiro disse que tinha ninguém. A produção foi também à casa de Maristela Temer, mas ninguém atendeu a campainha. Uma mulher que trabalha na casa disse que ela não estava.

O Palácio do Planalto afirmou, em nota, que o presidente Michel Temer não recebeu, direta ou indiretamente, recursos em dinheiro do grupo JBS na eleição de 2014. O comunicado diz que toda contribuição da campanha ao PMDB foi feita por transferência bancária e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O palácio afirmou ainda que a reforma foi feita com recursos próprios da proprietária da casa, Maristela Temer.

O Palácio do Planalto declarou que o coronel João Baptista Lima Filho cuidava do gerenciamento das campanhas de Temer desde a década de 1980 e que é natural que ele tivesse cópias de documentos das disputas anteriores. E que jamais houve entrega de recursos ao coronel a pedido de Temer.

O JN voltou a procurar o Coronel Lima e Maria Rita Fratezi por telefone, mas eles não retornaram.

A produção não conseguiu contato com a defesa de Rodrigo Rocha Loures.

A JBS afirmou que todos os atos cometidos no passado foram comunicados à Procuradoria Geral da República e estão documentados nos autos da delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal. A empresa acrescenta que os executivos seguem à disposição e em colaboração com as autoridades.