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Preso desde setembro no ano passado, em Curitiba (PR), o petista foi sentenciado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. (Foto: Ag. France Presse)

Palocci condenado a 12 anos e 2 meses de prisão.

Defesa do ex-ministro do PT vai recorrer da decisão em instância superior alegando a inocência do cliente.

27/06/2017

Curitiba. O juiz federal Sérgio Moro - responsável pelos processos da Operação Lava-Jato na primeira instância - condenou, ontem, o ex-ministro Antonio Palocci a 12 anos e 2 meses de reclusão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo que envolve contratos da Odebrecht e pagamentos ao marqueteiro do PT, João Santana, e sua mulher Mônica Moura.

Na denúncia, o Ministério Público Federal (MPF) aponta pagamentos de US$ 10, 2 milhões em contratos firmados pelo estaleiro Enseada Paraguaçu com a Petrobras por meio da Sete Brasil. O dinheiro teria sido repassado em contas no exterior ao casal por meio do setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o chamado departamento de propina. Os valores eram lançados numa planilha, na qual o ex-ministro era identificado como "italiano".

No despacho, Moro escreveu que os pagamentos feitos aos marqueteiros fariam parte de um contexto mais amplo que envolve uma conta corrente de propinas de R$ 200 milhões do PT com a Odebrecht. Moro ressaltou que Palocci se aproveitou do cargo público para agir como intermediário do PT orientando como deveriam ser feitos os pagamentos nessa conta corrente.

Palocci foi condenado por corrução passiva e outros 19 crimes de lavagem de dinheiro. A defesa de Palocci vai recorrer da sentença. Essa é a primeira condenação do ex-ministro. Ele está preso na carceragem da Polícia Federal de Curitiba desde setembro do ano passado, quando foi preso na operação Omertà, na 35ª fase da Lava-Jato.

Palocci também é réu em outra ação penal em Curitiba junto com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ação, Palocci é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de intermediar pagamentos de propina da Odebrecht ao ex-presidente Lula. O ex-assessor de Palocci Branislav Kontic foi absolvido por falta de provas, assim com o ex-executivo da Odebrecht Rogério Araújo. Além de Palocci, também foram condenados na ação outras 12 pessoas como o ex-tesoureiro do PT João Vaccari (4 anos e 6 meses), Mônica Moura e João Santana (7 anos e seis meses) e Marcelo Odebrecht (12 ano e 2 meses) - os três últimos firmaram acordos de delação premiada. Mônica e Santana cumprirão prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica por um ano e meio. Réus no mesmo processo foram condenados, como Eduardo Musa (corrupção passiva), Fernando Migliaccio (a 19 crimes de lavagem de dinheiro), mesma condenação de Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, Mônica Moura e João Santana.

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi condenado por um crime de corrupção passiva. Marcelo Odebrecht foi condenado por um crime de corrupção passiva e 19 crimes de lavagem em concurso formal. Já Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, foi condenado por um crime de corrupção passiva. Rogério Santos de Araújo foi absolvido por falta de prova de autoria.

Outros réus

João Vaccari Neto

O ex-tesoureiro do PT já havia sido condenado em quatro ações decorrentes da Lava-Jato, que, juntas, resultam em uma pena de 41 anos de prisão. Dessa vez, ele pegou 4 anos e 6 meses.

Marcelo Odebrecht

Em 8 de março de 2016 foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Agora, ele foi sentenciado a 12 ano e 2 meses de prisão.

Renato Duque

As duas condenações anteriores que ele sofreu na Lava-Jato somam quase 41 anos de prisão. Na nova sentença, ele pegou quatro anos.

João Santana e Mônica Moura

Em 2 de fevereiro de 2017 o casal foi condenado a 8 anos e quatro meses de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro. Agora, ambos foram condenados a cumprir 7 anos e seis meses de prisão.