Carregando...

Publicidade

Número representa 20% do total de petições enviadas às instâncias inferiores por Edson Fachin. (Foto: STF)

Quarenta inquéritos apuram delações da Odebrecht.

03/07/2017

Brasília. Dois meses depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin derrubar o sigilo das delações da Odebrecht e enviar 197 petições para investigações em instâncias inferiores, um levantamento mostra que alguns resultados devem demorar para aparecer: ao todo, pelo menos 40 inquéritos foram instaurados em oito estados e no Distrito Federal, além de três sindicâncias.

A velocidade varia de estado para estado: em São Paulo, os 27 pedidos de investigações ficaram dois meses parados até quarta-feira passada (28/6), quando os procuradores pediram a instauração de inquéritos. Os procuradores paulistas aguardam a formação de força-tarefa no estilo das existentes no Paraná e no Rio. O Ministério Público Federal (MPF) do Paraná, onde as investigações da Lava-Jato começaram, é o mais ocupado com as petições: 39 processos foram enviados para Curitiba, número que diminuiu após novas decisões de Fachin.

Na quinta-feira (29), o ministro enviou para São Paulo investigação sobre o ex-ministro Guido Mantega. Já o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, é alvo de investigação no Paraná, acusado de receber R$ 3 milhões para atenuar os efeitos da Lava-Jato na Odebrecht. Inquéritos costumam demorar de seis meses a um ano para saírem da Polícia Federal (PF). Há ainda o receio com o enxugamento no contingente da PF.

Em Curitiba, o número de delegados caiu de nove para seis.

"Há uma falta de 500 delegados no país e isso vai sobrecarregando (o trabalho)", disse Tania Prado, diretora da Associação Nacional dos Delegados da PF.

No Distrito Federal, onde o MPF recebeu 16 petições, as delações da Odebrecht sobre pagamento de propina ao ex-governador José Roberto Arruda e na obra do estádio Mané Garrincha foram juntadas às investigações da Operação Panatenaico, que apurava os crimes.