Carregando...

Publicidade

O comércio cearenses está otimista com o segundo semestre do ano, período que, tradicionalmente, é melhor para as vendas. (Foto: José Leomar)

Setor produtivo do Ceará espera 2º semestre melhor.

Empresários estão otimistas com a possibilidade de obterem resultados acima dos de 2016.

06/07/2017

Com o surgimento dos primeiros sinais positivos do cenário econômico, como a queda da taxa básica de juros (Selic) e da inflação, o setor produtivo está mais otimista para os resultados do segundo semestre de 2017. A projeção de crescimento de cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, mais que o avanço esperado para o País (0,5%), também anima, mas ainda há preocupação quanto a possíveis impactos da instabilidade política sobre a economia.

A indústria cearense, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), espera terminar o ano com o crescimento de cerca de 1,5% em relação a 2016. De acordo com Guilherme Muchale, economista da entidade, a situação tem melhorado. "A própria sondagem industrial mostra uma recuperação da produção, com duas elevações, o que não acontecia desde outubro de 2014. Mostra o início de uma mudança de comportamento".

Ele aponta que as expectativas dos industriais cearenses são superiores à média do grau de otimismo do empresariado brasileiro em todas as variáveis. "Os resultados mostram expectativa clara por demanda por produtos industriais, que se reflete na compra de matérias-primas e da expectativa de exportação. A previsão de estabilidade é do número de empregados, que se recupera por último", pontua.

Comércio

O segundo semestre é tradicionalmente mais aquecido para o comércio varejista, puxado principalmente pelas vendas realizadas no mês de dezembro, para as festas de Natal e Réveillon. De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza, Severino Ramalho Neto, a expectativa é que o período seja bem melhor do que os primeiros seis meses do ano, mas que ainda é cedo para avaliar se os resultados irão superar os do ano passado.

De acordo com Severino Ramalho Neto, existem segmentos em que as vendas de dezembro equivalem às de três ou quatro meses juntos, enquanto em outros, como o de supermercados, é esperado que os resultados do período sejam cerca de 5% superiores aos do primeiro semestre do ano.

"Estamos em uma posição privilegiada em relação ao País porque o Estado e a Prefeitura já sinalizam o adiantamento de parte do 13º salário", ressalta o presidente da CDL Fortaleza.

Ele aponta que as vendas para o Dia das Mães, em maio, representaram o primeiro resultado positivo do ano em relação ao ano passado.

"Foi a primeira vez que as vendas superaram as do ano passado e essa é uma data importante para a gente. De lá pra cá, mesmo com todo o abalo da crise política, o varejo não tem sido impactado. Não sabemos como isso vai terminar, mas esperamos que passe logo e não influencie as vendas", afirma o presidente da CDL Fortaleza.

Empregos

Quanto à geração de empregos pelo setor, Severino Neto lembra que a contratação de trabalhadores temporários costuma acontecer no fim do ano, mas que ainda é difícil prever se irá se concretizar. "Não está certo ainda. Mas estamos numa torcida muito grande para que a política não influencie a economia do tanto que já chegou a influenciar antes. O mercado está mais positivo", disse Severino.


Com a contínua queda na taxa de juros, a construção civil avalia que o mercado terá condições melhores para o financiamento imobiliário. (Foto: Bruno Gomes)

Construção Civil

Na construção civil, a expectativa também é positiva, segundo André Montenegro, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE). Para ele, não há dúvidas de que o resultado das vendas do setor crescerá em relação ao ano passado, embora não tenha estimado um percentual. "A retomada não vai ser milagrosa, mas vai dar um start no crescimento", aponta o presidente do Sinduscon-CE.

Ele avalia que, com o andamento das reformas trabalhista e previdenciária pelo Congresso Nacional e também com a contínua queda da taxa básica de juros, a taxa Selic, o mercado terá condições melhores e as pessoas poderão ter mais facilidades para adquirir imóveis.

"O Feirão da Caixa Econômica em Fortaleza, no fim de junho, foi um bom termômetro", destaca André Montenegro, ponderando que o estoque na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) está em cerca de 9 mil unidades, acima da média ideal de 3,5 mil.

Lançamentos

Os empregos no setor da construção civil, por outro lado, só devem ser retomados no próximo ano. Como não haverá lançamentos de novos empreendimentos imobiliários no segundo semestre, de acordo com o presidente do Sinduscon-CE, não há expectativa de contratações em 2017. "Lançamentos só em 2018. Então, só depois disso o setor volta a empregar", explica André Montenegro.

Agropecuária

Com o fim da safra 2016/2017 na última sexta-feira (30), o setor agropecuário cearense estima o resultado do período com uma produção de cerca de 500 mil toneladas, um crescimento de aproximadamente 50% em relação ao ano de 2016.

No entanto, a produção ainda está longe dos patamares de antes da crise econômica e da estiagem - o volume corresponde à metade da produção em anos de economia estável e de chuvas dentro da média histórica.

Avaliação

É o que aponta o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Flávio Saboya. "Comparado ao ano passado, que foi péssimo, este ano foi indiscutivelmente melhor. Mas comparando à safra de 2011, ainda está muito abaixo", lamenta. Já em relação à expectativa para o segundo semestre, ele apontou ser ainda muito cedo para prever, já que o plantio só acontece no primeiro trimestre.