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Conta de luz teve redução de 5,52% em junho, o que reverteu a alta de 8,98% em maio, com a mudança da bandeira vermelha para a verde. (Foto: Kléber A. Gonçanves)

Com a crise, IPCA volta a ter retração no País após 11 anos.

08/07/2017

Rio. A queda nos preços de energia elétrica, alimentos e combustíveis em junho fez o País ter a primeira deflação em 11 anos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), recuou 0,23% no mês, divulgou o IBGE nesta sexta-feira (7). Esse movimento de queda de preços não ocorria desde junho de 2006. O recuo ocorre em razão da recessão, com desemprego e endividamento das famílias, e também por quedas pontuais de preços da energia, dos combustíveis e dos alimentos.

Os alimentos, que representam pouco mais de um quarto de todo o IPCA, caíram 0,50% puxados pela alimentação em casa (-0,93%). O índice de habitação, que verifica os custos que incidem sobre os lares, como serviços públicos, aluguéis e condomínios, recuou 0,77% no mês. Também ajudou o recuo de 2,84% no preço dos combustíveis, que levaram o grupo transportes a uma queda de 0,52% no período. Ainda houve forte redução, de 5,52%, nas contas de luz, que reverteram a alta de 8,98% em maio graças à mudança da bandeira vermelha para a verde, mais barata.

Há a expectativa, porém, de que em julho a energia possa voltar a subir em algumas áreas, devido, por exemplo, aos reajustes de tarifas das distribuidoras de energia e à volta da bandeira amarela, mais cara.

No acumulado em 12 meses, o índice ficou em 3%, abaixo da meta oficial do governo, de 4,5%. Desde abril deste ano que o índice acumulado vem mais baixo do que a meta - algo que não ocorria desde agosto de 2010 e o mais baixo desde março de 2007, quando o indicador foi de 2,96%. Os resultados recentes motivaram o governo a reduzir a meta anual de inflação para 4,25%, a ser perseguida em 2019, e para 4% em 2020.

O IPCA acumulado de junho, de 3%, também vai corrigir o teto de gastos estabelecido pelo governo de Michel Temer. Segundo a nova regra - que entrou em vigor neste ano, após a aprovação da chamada PEC do Teto -, a correção será limitada à inflação acumulada em 12 meses em junho do período anterior.

Perda de força

A inflação vem perdendo força desde o fim de 2016. O índice acumulado em 12 meses chegou a superar os 10% no começo do ano passado. Um dos principais vilões foi a pressão de preços sobre os alimentos, visto que em 2016 houve quebras de safras em várias regiões do país por questões climáticas, gerando impacto a toda uma cadeia.

Carnes de boi e frango, derivados de leite e ovos, por exemplo, tiveram altas por causa do aumento do preço da ração animal. Outro fator que empurrava a inflação para cima eram as tarifas de energia elétrica, que após quase dois anos represadas, tinham retornado a subir.