Carregando...

Publicidade

Delator disse que temia ser flagrado com dispositivo escondido em seu paletó caso ele tivesse de passar por um detector de metais. (Foto: Folhapress )

Joesley usou gravador 'à prova de antigrampo'.

Ex-ministro Geddel teria dado dica ao dono da JBS sobre uso de aparelho em sala de Michel Temer.

08/07/2017

Brasília. Em depoimento à Polícia Federal no dia 16 de junho em Brasília, o empresário Joesley Batista afirmou que recebeu de Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Secretaria do Governo, uma dica sobre uma sala "antigrampo" preparada no Palácio do Jaburu pelo presidente Michel Temer (PMDB-SP). De acordo com o depoimento, Geddel teria informado a Joesley que Temer usava o local para "tratar de assuntos mais sensíveis".

Segundo a declaração, Joesley também temia que o dispositivo que usaria para grampear a conversa com o presidente e que levava escondido no paletó fosse percebido caso ele tivesse de passar por um detector de metais.

O episódio culminou na delação premiada de Joesley, de seu irmão Wesley e de outros executivos da J&F.

Como consequência, a PGR (Procuradoria-Geral da República) apresentou uma denúncia contra Temer na semana passada, sob a acusação de corrupção passiva. O presidente já apresentou sua defesa e nega ter cometido ato ilícito.

De acordo com o delator, Geddel lhe contou que Temer possuía uma sala equipada com bloqueadores de sinais eletromagnéticos para evitar ser gravado em meio a conversas delicadas.

Depois disso, Joesley afirmou ter escolhido um gravador envolvido em uma camada de borracha e disse acreditar que o material isolante protegeria o gravador dos bloqueadores e o camuflaria do detector de metais.

O modelo utilizado pelo dono da J&F é um aparelho em miniatura no formato de um pendrive, com cerca de 7 cm de comprimento e menos de 2 cm de largura. O equipamento foi envolvido em uma espécie de fita de borracha por funcionários que ajudaram o empresário a preparar o flagrante, o que pode ter afetado a qualidade da gravação realizada. Modelos similares que inclusive gravam vídeos podem ser adquiridos em lojas na internet por menos de R$ 100.

Questionado se de fato o palácio conta com a sala "antigrampo", o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) respondeu que não vai se manifestar sobre o assunto. No depoimento, prestado à PF após uma viagem à China, Joesley reafirma que não editou o conteúdo e que entregou todas as gravações à PGR.

No depoimento, Joesley reafirmou todas as acusações feitas a Temer, a Rodrigo Rocha Loures e a outros políticos e pessoas ligadas ao PMDB na Câmara. Também disse que conhece Geddel há cerca de 20 anos, pois a JBS compra gado de fazendas da família do político na Bahia.

A polêmica gravação de Joesley é a principal prova da denúncia da PGR contra Temer.