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Após encontro com Temer, o ministro Raul Jungmann disse que a sinalização foi recebida em conversa com o interventor Walter Souza Braga Netto. (Foto: PR)

Plano de ação para intervenção no Rio deve ser exposto na próxima semana.

Ontem, pela 1ª vez um presidente da República participou de reunião do Conselho Militar de Defesa, na sede da Pasta.

23/02/2018

Brasília/Rio de Janeiro. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse ontem que o plano de ação para a intervenção no Rio deve ser apresentado na semana que vem pelo general Walter Souza Braga Netto, responsável pela missão. E que obteve essa sinalização em conversa ao telefone com Braga Netto.

"O interventor cuida da parte administrativa e, na próxima semana, fará (uma entrevista) coletiva e iniciará o fluxo de comunicação com vocês", disse após o presidente Michel Temer participar de uma reunião do Conselho Militar de Defesa, na sede do Ministério da Defesa.

É a primeira vez que um presidente da República, de acordo com o ministro, participa da reunião do conselho, que é realizada mensalmente. Mas o chefe da Pasta afirmou que nada foi dito sobre a intervenção no Rio.

Jungmann ainda demonstrou preocupação com a nacionalização do crime organizado.

"Nós sabemos que o crime já é nacional. Tenho sempre batido (na tecla) na nacionalização e internacionalização do crime".

O ministro admitiu que há uma preocupação que o controle da violência no Rio possa causar a migração de criminosos para outras regiões do país. "Acho que é plausível. Porque essa migração ocorre dentro do Rio de Janeiro, dentro de Pernambuco, dentro de Goiás. Onde você tem uma eficácia maior das forças de segurança o crime em certa medida migra. E essa é uma preocupação que a gente tem que ter e tem que cuidar para que ela não se corporifique".

Participaram do encontro os ministros da Defesa Raul Jungmann; do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen; o comandante do Exército, general Eduardo Dias Villas Boas; o comandante da Marinha, almirante de esquadra Eduardo Leal Ferreira; e o comandante da Aeronáutica, tenente brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato.

Já o ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmou, ontem, que é "razoável" a dúvida sobre um possível cunho político da intervenção federal na segurança pública do Rio. Aliados do emedebista chegaram a afirmar que a medida iria trazer benefícios a uma eventual candidatura de Temer à reeleição.

"A dúvida é razoável", disse o ministro, quando perguntado sobre como garantir efetividade dos resultados à população frente a especulações de motivações políticas. "Esperamos, ao final do ano, responder a essa pergunta", complementou o ministro.

Após se reunir com Torquato Jardim, na capital paulista, os secretários da Segurança Pública de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo vão conversar com o interventor no Rio de Janeiro, general Walter Braga Netto, na próxima semana. O encontro será no Rio na terça (27).

Também na próxima semana, Braga Netto deve anunciar o nome do novo secretário de Segurança Pública. O general da ativa, Richard Fernandez Nunes é o nome mais cotado.

Na reunião de ontem, o ministro e os secretários dos três Estados que fazem divisa com o Rio anunciaram uma "cooperação política, financeira e operacional" entre os governos federal e estaduais para evitar possíveis consequências da intervenção no Rio nos territórios vizinhos.

Já a Câmara dos Deputados formalizou, ontem, a criação do Observatório Legislativo da Intervenção Federal na Segurança do Rio de Janeiro (Olerj). O lançamento oficial será no próximo sábado, na capital fluminense.

Mudança por decreto

Para evitar uma derrota no Congresso, Temer avalia instituir o cargo de secretário extraordinário de Segurança Pública por meio de decreto, sem criar uma nova estrutura ministerial.

Com a criação por decreto, e não por medida provisória ou por projeto de lei, a iniciativa não precisaria passar pela avaliação da Câmara ou do Senado.

Por sua vez, a Federação Nacional de Policiais Federais enviou, ontem, ofício a Temer, sugerindo o nome de Ricardo Balestreri para o comando da nova Pasta a ser criada.



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