Carregando...

Publicidade

A imagem da cheia contrasta com a realidade de seca há dois meses. (Foto: Natinho Rodrigues)

Barragem do Rio Cocó atinge sua capacidade máxima.

O reservatório é o segundo a sangrar nesta semana. Na terça-feira, o açude Caldeirões atingiu 100% de volume.

24/02/2018

Devido às últimas precipitações, a barragem do Rio Cocó atingiu seu limite máximo na manhã dessa sexta-feira (23), conforme o Portal Hidrológico da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh). Com capacidade máxima de armazenamento de quase 6 milhões e meio de m³, o reservatório é o primeiro da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) a sangrar neste ano. A obra é responsável por conter o excedente de água no período mais intenso da quadra chuvosa na Capital, evitando alagamentos em bairros vulneráveis ao longo do Rio. No total, o investimento foi da ordem de R$ 105 milhões.

A intervenção também contempla a dragagem e o saneamento do rio Cocó, além da urbanização do trecho que vai da BR-116 até a Avenida Paulino Rocha, às margens do curso d'água.

Além do Cocó, outros seis reservatórios estão com volume armazenado entre 80 e 89% (Maranguapinho, Gavião, Tijuquinha, Acaraú Mirim, São Vicente e Itaúna), duas entre 90 e 99% (Tucunduba e Germinal), além da do açude Caldeirões, que sangrou na última terça-feira (20).



A sangria ocorre em um contexto de expectativas positivas para o Ceará, que vem sendo assolado há seis anos seguidos pela seca. Na última quinta-feira (22), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) divulgou o prognóstico de chuvas no Ceará para o próximo trimestre - março, abril, maio. Na análise, o órgão aponta que há 45% de chances de o Estado receber chuvas acima da média, 35% em torno do normal e 20% abaixo do normal no próximo trimestre.

Nos açudes estaduais, na cota entre quinta-feira (22) e sexta-feira (23), foi registrado aporte de água em 66 açudes. Nestes mananciais, segundo a Cogerh, houve um aumento de 8.108.862 m³ no volume armazenado. Considerando a estimativa do volume evaporado e o volume liberado neste período, houve um aporte de 9.609.632 m³. Demandada pela equipe de reportagem do Diário do Nordeste sobre maiores detalhes em relação à barragem, a Cogerh não se posicionou sobre o assunto até o fechamento desta matéria.

Alagamentos

Mesmo com a sangria da barragem do Rio Cocó, a retirada das águas para o abastecimento da Região Metropolitana ainda não acontece. A medida tem como objetivo evitar alagamentos nas 14 áreas consideradas mais vulneráveis em Fortaleza, beneficiando cerca de 10.970 mil famílias em áreas como a comunidade do Lagamar.

De acordo com a Defesa Civil do Município, Fortaleza tem hoje 21.345 famílias morando em 89 áreas de risco.

O órgão acrescenta que casas podem ser inundadas, pois, existem muitas famílias que construíram suas residências em áreas de risco, às margens do Cocó.

Sobre as ações desenvolvidas, a Defesa Civil articula com a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (SCSP) para a limpeza dos recursos hídricos da Capital, a partir de intervenções em mananciais com ações de desassoreamento e limpeza, mapeados com vetores de riscos, indicados pela incidência de alagamentos e inundações, realizado pelo Núcleo de Ações Preventivas. No caso de ações emergenciais, o órgão verifica a situação das famílias afetadas.

Andamento

Questionados sobre o projeto a ser desenvolvido pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) para a retirada das águas da barragem, o órgão afirmou que os estudos para essa viabilização do projeto seguem em andamento. A medida faz parte das ações costuradas na tentativa de evitar um colapso hídrico na Capital. (Colaborou Fabrício Paiva)

Fique por dentro

Castanhão não ganhou aporte significativo

De 10 de fevereiro a 24 de abril do ano passado, o Castanhão armazenou 77 milhões de m³. No dia 31 de julho, já tinha perdido todo esse volume. Em dias mais quentes , a evaporação consome por volta de 4 mm de lâmina d'água. São 700 a 800 mil m³ de água por dia, segundo o administrador do Completo Castanhão, Fernando Pimentel. Por isso é que, apesar das boas chuvas que banham o Estado no início da quadra chuvosa, é necessário estar atento aos processos de evaporação e a autonomia de outros açudes para o abastecimento.

No entanto, dados atualizados sobre o volume trouxe um sopro de esperança, em meio a tantas perdas. Atualmente, o Castanhão está com o volume de 2,10%, representando 140.7 milhões de m³. Nessa sexta, foi sinalizada a primeira vez que o açude ganhou volume em comparação ao dia anterior, neste ano. Na última quinta-feira (22), o volume representava 2,08% do total comportado.

A supervisora do núcleo de meteorologia da Funceme, Meiry Sakamoto, garante que o cenário de aporte do açude ainda continua incerto, mesmo com a perspectiva positiva de chuvas por parte da Fundação. "Estamos mais otimistas que nos anos anteriores. Porém, não dá para garantir nada. Mesmo que não haja uma quantidade de chuva intensa no Centro-Sul e apenas no Centro-Norte, de alguma forma isto pode ser positivo, já que ajudaria a não dependermos tanto de açudes como o Castanhão", comentou.


Total de acessos: 237980

Visitantes online: 25