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Chefe do Executivo do Brasil aposta suas fichas nas ações militares no Rio. (Foto: PR)

Temer sobre intervenção: "Se não der certo, não deu certo o governo".

Presidente disse ainda que anuncia, na próxima segunda-feira, o titular do novo Ministério da Segurança Pública.

24/02/2018

Brasília/São Paulo. O presidente Michel Temer disse, na sexta-feira, em entrevista a uma emissora de rádio paulista, que a intervenção no Rio de Janeiro é "um jogo de alto risco, mas um jogo necessário". Temer disse também ter convicção que a medida dará certo.

"É um jogo de alto risco, mas um jogo necessário. E não vou ficar apenas na intervenção. Vou anunciar o Ministério Extraordinário da Segurança Pública", disse o presidente, completando:

"Se não der certo a intervenção, não deu certo o governo. Porque o comandante supremo das Forças Armadas é o presidente da República. Então o que as Forças Armadas nada mais fizeram foi responder ao comando do seu comandante supremo.

Indagado se seria candidato à reeleição, Temer negou:

"A intervenção na segurança do Rio de Janeiro é uma jogada de mestre, mas nada eleitoral. Eu sou candidato a fazer um bom governo", garantiu.

Ainda segundo o presidente, o Rio precisava da intervenção e o estado será "um exemplo para o País". Indagado se há a possibilidade de o interventor general Valter Souza Braga Netto afastar agentes de segurança pública que hoje atuam no Rio, Temer foi categórico. "Claro que há".

Para Temer, as Forças Armadas terão a função de garantir apoio para que a Polícia Militar desempenhe suas funções.

"Não sei se vai haver confronto entre militar, isso o momento lá é que vai dizer. Mas se houver confronto entre marginal, bandido armado, que sai dando tiro em um militar, é claro que ele não vai se deixar matar, deixar a segurança ficar absolutamente impune, não vai. Nós esperamos que não aconteça. Se for necessário, é partir para o confronto".

Depois, apressou-se em se explicar. "'Pera' um pouquinho. É que a gente diz essas coisas e a imprensa pega uma frasezinha e diz: 'Temer agride os diretos humanos'". E argumentou que está montando um grupo do Ministério de Direitos Humanos para acompanhar as ações, bem como conversas com grupos do Ministério Público.

Ele destacou também a necessidade de engajamento do poder Judiciário para garantir agilidade no deferimento de pedidos urgentes. Temer disse que anuncia na segunda-feira quem será o titular do novo Ministério Extraordinário de Segurança Pública e que há "uns dez nomes" cotados, ainda sem definição de quem será o escolhido.

A função da nova pasta será "coordenar a ação de segurança pública no país".

O presidente negou que haverá interferências nas investigações a crimes de corrupção e de colarinho branco.

'Golpe militar'

Ele admitiu que ainda não decidiu se a Pasta será criada por decreto ou uma medida provisória e prometeu que não haverá aumento de impostos para custear as ações nacionais de segurança. "Vou dar uma nota para hipótese de golpe militar: zero. Não existe mais no país absolutamente nem clima interno nas Forças Armadas, nem clima na população para um golpe militar". E reiterou apoio à maior participação dos militares em áreas administrativas do País.

O emedebista disse ainda que não seria adequado se manifestar sobre o caso do ex-presidente Lula e a possibilidade de ele ficar fora das eleições por conta da condenação em segunda instância, mas repetiu achar melhor que ele pudesse participar do pleito. "Eu acho que se ele tiver condição de disputar acaba uma coisa meio mítica. Ele vai para a eleição, se for eleito muito bem, se não for...", disse, reiterando que não defenderia essa posição porque o tema está no Poder Judiciário. "E seria uma intervenção em outro Poder".

Eleição

Temer disse ainda acreditar que as eleições vão ocorrer dentro da normalidade e mesmo que haja "evidentemente" um "momento político eleitoral mais convulsionado", para o presidente, as instituições estão funcionando. "No caso do Lula, o que vai acontecer com ele eu não sei, porque é uma questão judicial, e se soubesse não falaria", destacou.

Ao ser questionado sobre a divisão no quadro eleitoral, com a polarização entre Lula e Jair Bolsonaro, e também com diversos pré-candidatos do centro, Temer afirmou que "o ideal dos ideais seria ter dois candidatos", o que significaria poucos partidos. "Essa coisa de espalhar um número grande de candidaturas não é bom", afirmou.

Temer argumentou que uma candidatura à Presidência tem que vir acompanhada de um programa de governo e citou que quando assumiu a Presidência já havia apresentado à antecessora Dilma Rousseff a proposta da Ponte para o Futuro. "Eu era vice e era uma colaboração ao governo vigente".



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