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Na primeira semana após o anúncio do decreto presidencial sobre a intervenção federal, patrulhas fiscalizaram veículos e revistaram cidadãos. (Foto: Agência Brasil)

Dizem moradores: Traficantes reassumem postos após saída de tropa.

Forças de Segurança reforçaram a entrada de favela, mas após o fim do expediente, o crime voltou a dominar a área.

24/02/2018

Rio de Janeiro. Com a saída das Forças Armadas da Vila Kennedy, na noite de sexta-feira, traficantes da favela reassumiram seus postos, relataram moradores à reportagem.

Fuzileiros navais permaneceram de dia em uma ação de combate ao tráfico na comunidade, na zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo moradores, eles foram embora por volta das 18h; às 20h, os criminosos já estavam de volta, e circulando pelos mesmos lugares antes ocupados pelas tropas federais.

"Essas operações não mudam nada. É triste, mas é uma impressão que temos e que nunca mudará. Hoje não tivemos tiros, não tivemos ataques, mas as ruas estão vazias, o povo está com medo", contou um interlocutor da reportagem, que prefere não ter o nome divulgado.

"Ficamos 30 horas sem luz após o temporal da última semana e não tivemos a presença de nenhum órgão da prefeitura para ajudar os desabrigados, pessoas que perderam tudo. Essa semana chegaram grandes tanques de guerra, caminhões. Só se traz fuzil para a favela", lamentou outro. O Comando Militar do Leste não comentou o retorno dos bandidos. A operação conjunta das Forças Armadas e as do Estado envolveu cerca de 3.200 agentes de segurança. Foram destruídas barricadas do tráfico e revistados pessoas e veículos.

Fotos

Fuzileiros tiraram fotos de moradores e de suas carteiras de identidade, o que gerou mal-estar na população. O objetivo era agilizar a checagem de antecedentes criminais. Eles se sentiram humilhados e postos sob suspeição. Houve quem tenha deixado de sair às ruas para não passar pelo procedimento.

De acordo com o CML, esse tipo de atuação é legal e rotineira. "Trata-se de um procedimento feito regularmente, legal, cuja finalidade é agilizar a checagem de dados junto aos bancos de dados da Secretaria de Segurança", explicou o coronel Carlos Frederico Cinelli, chefe da comunicação social do CML. "Uma vez enviada para o sistema da Polícia Civil, a foto é deletada".

Segundo Cinelli, a checagem através das fotos visa causar "menos transtorno" às pessoas. "A checagem é feita quanto a mandados de busca em aberto e consulta à ficha de antecedentes criminais". O coronel esclareceu ainda que a medida é autorizada pelo decreto da Garantida de Lei e da Ordem (GLO), do ano passado, e que o expediente será usado novamente em ações futuras. "O procedimento está amparado pelo decreto de GLO", disse.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Rio de Janeiro, repudiou as fotos e considerou que a medida afrontou os direitos constitucionais da população da Vila Kennedy.



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