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Em média, a Central de Transplantes recebe 40 notificações de potenciais doadores por mês, mas só metade disso se converte em doação. (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Comparativo 2016-2017: Ceará registrou queda de 19% no número de transplantes.

A justificativa da Sesa para a diminuição foi o atendimento de quase toda a demanda por transplante de córnea.

26/02/2018

Trans+plantare. Desde a origem latina, "plantar num lugar diferente", a semente de uma vida pode significar a continuidade de outra. Em 2017, o Ceará registrou 1.518 transplantes de órgãos e tecidos, uma redução de 19% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados 1.874 procedimentos. Ainda assim, segundo a Secretaria da Saúde (Sesa), esse é o segundo melhor resultado do Estado desde que a Central de Transplantes do Ceará foi implantada, em 1998, atrás apenas do ano de 2016.

Desde 2011, o Estado ultrapassa a marca dos mil transplantes anuais e, desde 2012, apresentava sucessivos acréscimos nas estatísticas. Conforme a Sesa, o que impactou significativamente no resultado de 2017 foi a redução de 25% dos transplantes de córnea, com 308 cirurgias a menos frente a 2016. Sozinho, o número corresponde a 86,5% dos 356 transplantes realizados a menos no ano passado.

A justificativa da Secretaria para a diminuição foi o "atendimento de praticamente toda a demanda por transplante de córnea no Estado". Em dezembro de 2016, o Ministério da Saúde declarou que o Ceará tinha "fila zero" para o procedimento, depois de 34 anos realizando o transplante. Atualmente, apenas nove pessoas aguardam o procedimento.

Mesmo com a queda do ano passado, segundo a Pasta, os transplantes de córnea ainda são a maioria desse tipo de cirurgia no Ceará, superando os 60% do total de transplantes realizados: dos 1.518 procedimentos efetivados em 2017, 959 (63%) foram de córnea. Já em 2016, dos 1.874 transplantes, 1.267 (67,6%) foram de córnea.

Levando em consideração apenas os transplantes de órgãos - coração, rins, fígado, pâncreas e pulmão -, também foi constatada uma pequena queda, de 7%. Em 2016, foram 491; já no total do ano passado, 456. Segundo a coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Eliana Barbosa, atualmente, 752 pessoas estão na fila de espera por órgãos no Estado.

A maioria (598) aguarda rins; em seguida, fígado. Esses também são os órgãos com maior taxa de captação no Estado: 98% e 95%, respectivamente.

Por outro lado, o pulmão é o mais difícil, chegando a apenas 15% das captações. "A família até doa, mas os critérios para o transplante são muito mais exigentes. O doador não pode ter tido trauma ou infecção grave", pontua. Hoje, apenas quatro pessoas aguardam pulmão no Estado do Ceará. Para Eliana Barbosa, uma audiência realizada entre Estado, Prefeitura de Fortaleza e Ministério Público do Estado (MPCE), no fim de janeiro, foi positiva para desburocratizar os processos de notificação e doação dos órgãos em Fortaleza. "O que acontecia era que, se estivesse num estabelecimento que não tinha contrato, o doador deveria ser enviado para outro hospital. Com essa nova conduta, não há necessidade da transferência", afirma Eliana.

Em média, a Central de Transplantes recebe 40 notificações de potenciais doadores por mês, mas só metade disso se converte em doação, devido principalmente à recusa familiar e a contraindicações médicas. "Embora sejamos referência nacional em doação e transplante, ainda temos uma taxa de negativa familiar elevada", lamenta a coordenadora.

Segunda chance

Por outro lado, um dos 1.518 beneficiados com um "sim" no Estado foi o piauiense José Cardoso, 61, primeiro transplantado cardíaco do Hospital de Messejana em 2017. A data, ele lembra com precisão: "dia 20 de janeiro", como quem guarda o dia do novo nascimento. A espera, contudo, dava ânsias. Foram cinco meses de incertezas e nove tentativas frustradas: sete por inadequação do órgão e duas por negativas das famílias.

Ele ainda passou por internações decorrentes de contratempos da cirurgia e mais alguns meses de reabilitação, mas, finalmente, no dia 15 de dezembro, voltou para casa. Agora, quer fazer uma campanha em seu estado natal para sensibilizar a população sobre a doação. "Todo ano, morre muita gente porque outras tantas não têm informação. Alguns pensam que transplante é coisa de outro mundo", avisa, afirmando que sua vida "melhorou 90%" depois do procedimento.

Campanha

O incentivo à doação de órgãos e a conscientização sobre a importância da boa ação para salvar vidas norteiam a campanha Doe de Coração, promovida pela Fundação Edson Queiroz. A iniciativa, que completa 16 anos em 2018, tem como principal objetivo contribuir na divulgação de informações sobre os benefícios da doação de órgãos, tanto para o doador como para o paciente que recebe.



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