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Uma mansão no condomínio Alphaville Fortaleza foi adquirida pelos criminosos, ano passado, pelo preço de R$ 2 milhões. Os vizinhos da dupla disseram que eles moravam no local há, pelo menos, um ano. (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Advogado mineiro comprou mansão para o PCC no Ceará.

Outros dois homens, que teriam sido usados como "laranjas" do PCC, estariam com medo de serem mortos.

27/02/2018

A conexão entre um advogado mineiro, dois empresários cearenses e as mulheres deles com os dois líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), mortos em uma emboscada no Ceará, está sendo investigada pela Polícia. O advogado Emerson Pinheiro de Carvalho aparece como proprietário da mansão adquirida por Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue', 41; e Fabiano Alves de Souza, o 'Paca', 38. O imóvel custou cerca de R$ 1 milhão.

A casa fica em um condomínio de luxo na Lagoa do Uruaú, em Beberibe, no Litoral Leste do Estado. A reportagem tentou contato com Emerson Pinheiro, mas as chamadas não foram completadas, no número dele, obtido com uma fonte. No Cadastro Nacional de Advogados (CNA) não consta telefone na ficha cadastral de Emerson. A situação dele na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é regular. Conforme a fonte, ele seria o responsável por adquirir veículos e imóveis para o PCC no Ceará e "legalizar" os bens.

Além de Emerson Pinheiro, os irmãos Francisco Cavalcante Cidrão Filho e José Cavalcante Cidrão também teriam cedido seus nomes para aparecerem como proprietários de imóveis comprados com dinheiro de 'Gegê do Mangue' e 'Paca'. O advogado Kaio Castro, que representa os irmãos, disse que eles estão "correndo perigo". Segundo Kaio Castro, os dois não têm ligação com o PCC. No entanto, tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça estadual, na última quinta-feira (22).

O advogado disse que foi à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que investiga o caso, mas o delegado não confirmou se os clientes dele estavam sendo procurados pela Polícia. "Pedi cópia do inquérito e não consegui na Delegacia. Por esse motivo, peticionei na Vara de Aquiraz para que a juíza desse permissão e eu tivesse acesso aos documentos".


Conforme as investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), a cúpula do PCC gastou, aproximadamente, R$ 8,6 milhões em carros e imóveis ao chegar ao Ceará, ainda no ano passado. (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Empresários

Conforme Kaio Castro, os clientes dele são empresários e têm negócios no ramo contábil e também imobiliário. "Eles são pessoas boas e foram surpreendidas, como todos os fortalezenses, com essa história (das mortes dos líderes)". O advogado não disse se os irmãos estão em Fortaleza, nem quando iriam prestar esclarecimentos. "Vou saber o que existe contra eles, depois, vão se apresentar", disse.

A reportagem apurou que os irmãos Francisco Cidrão Filho e José Cavalcante Cidrão seriam 'laranjas' que davam o nome na aquisição de bens comprados por 'Gegê' e 'Paca' no Ceará. A informação, porém, foi negada pelo advogado. "A ligação entre os meus clientes e as duas pessoas mortas era comercial. Eles foram contratados para reformar uma casa comprada por eles. Os dois não sabiam com quem estavam lidando".

O nome dos irmãos também foi citado pelo advogado Marcelo Brandão, ex-proprietário, de uma das casas adquiridas pelos criminosos paulistas. "Eu nunca tive contato com esses líderes do PCC. O 'Cavalcante' se apresentou como corretor, provavelmente um 'testa de ferro', e disse que a casa era para um 'bicheiro'. Fez contrato no nome dele mesmo e tudo. Minha família tratava diretamente com ele. O contrato está reconhecido em firma. A Polícia está com esse documento", disse Brandão.

Esposas

As outras duas pessoas que estão sendo procuradas são as esposas dos irmãos empresários, Magna Ene de Freitas e Samara Pinheiro de Carvalho Cavalcante. Magna era a beneficiária do seguro de um dos cinco veículos de luxo, adquiridos pelo PCC aqui.



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