Carregando...

Publicidade

O ex-governador baiano e ex-ministro negou ter recebido recursos ilícitos de empreiteiras e que tenha havido superfaturamento em estádio. (Foto: Agência Brasil)

Polícia Federal investiga propina a Jacques Wagner.

Foram feitas buscas no gabinete e em imóvel do atual secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia.

27/02/2018

Salvador/Brasília. Uma das linhas de investigação que a Polícia Federal apura na Operação Cartão Vermelho deflagrada ontem, em Salvador, é um suposto pagamento de propina ao ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT-BA) no valor de R$ 82 milhões. Segundo os investigadores, o dinheiro teria sido pago pelas construtoras Odebrecht e OAS, responsáveis pela demolição e reconstrução da Arena Fonte Nova, um dos estádios que recebeu jogos da Copa de 2014.

Entre os crimes apontados no esquema estão superfaturamento, desvio de verbas públicas, corrupção, fraude na licitação e lavagem de dinheiro. O total de desvios pode chegar a R$ 450 milhões, aponta a PF.

De acordo com a PF, do total dos R$ 82 milhões pagos entre 2006 e 2014, apenas R$ 3,5 milhões foram declarados como doação de campanha para o político baiano que concorreu na última eleição ao governo do estado. Há ainda, sustentam as investigações, a suspeita de que R$ 500 mil provenientes desse esquema foram entregues na casa da mãe do petista.

"O total investigado de pagamento é de R$ 82 milhões, em propina e doações eleitorais não declaradas", disse a delegada Luciana Matutino, chefe da Delegacia de Combate à Corrupção, sobre as suspeitas contra Jaques Wagner. Ela ainda falou sobre o que teria sido um pagamento de R$ 500 mil realizado em mãos na casa da mãe do ex-governador, no Rio de Janeiro.

"Ele (Jaques Wagner) não recebia o dinheiro de forma direta, a exceção da entrega que foi feita na casa de sua mãe no Rio", explicou a delegada, que acrescentou: "Os doleiros de Salvador não teriam capacidade de entregar tal quantia e por isso teria sido feito um pagamento no Rio".

Relógios de luxo

Ontem, agentes da PF foram às ruas para cumprir sete mandados de busca e apreensão. Um dos alvos foi o apartamento de Jaques Wagner, em um prédio no Corredor da Vitória, área nobre de Salvador. Foram apreendidas documentos, mídias e 15 relógios de luxo. Os policiais também visitaram a sede da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, cujo secretário atual é o ex-governador.

A operação da PF impôs mais dificuldades para o PT ter candidato próprio ao Palácio do Planalto, pois Wagner era cotado como possível opção petista na eleição presidencial caso Lula seja mesmo enquadrado na Lei da Ficha Limpa e fique impedido de disputar.

Outro lado

O petista negou ter recebido recursos ilícitos de empreiteiras e afirmou que não houve superfaturamento obras de reconstrução da Arena Fonte Nova.

"Repilo a ideia de receber propina. Nunca pedi nem nunca recebi propina. Eu não peço e não autorizo ninguém a pedir qualquer tipo de reciprocidade por obras feitas", disse.

Ele afirmou ser uma "aberração" a PF afirmar que houve direcionamento por causa da exigência de expertise em demolição. E disse "estranhar" o fato de a operação da PF ocorrer cinco anos depois do início do inquérito.

Sobre os 15 relógios apreendidos, Wagner negou que eles sejam luxuosos.

"Se tiver é um ou outro que tem um valor um pouco maior. A maioria dos relógios são absolutamente simples. Eu gosto de relógios, mas não tem nenhum valor ali de luxo", disse.

Ele ainda questionou o fato de a delegada afirmar que os objetos são luxuosos antes de eles serem periciados.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), saiu em defesa do colega. Costa afirmou confiar na "lisura" de Wagner e afirmou que a investigação tem cunho político. Para Costa, as buscas na residência e no gabinete têm "cunho midiático e político" porque, segundo ele, equipes de reportagem chegaram à casa de Wagner antes dos policiais.



Total de acessos: 237564

Visitantes online: 4