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Resultado do PIB nacional foi influenciado, sobretudo, pela agropecuária, que registrou um avanço de 13% no ano passado. (Foto: Kid Júnior)

Recuperação: Após dois anos de queda, PIB do País cresce 1% e soma R$ 6,6 tri.

Com o resultado, o Brasil retoma o nível econômico de 2011, ainda longe do período pré-crise, em 2014.

02/03/2018

Rio. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1% em 2017 ante 2016, informou, ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A soma de todos os produtos e serviços produzidos no País teve, em 2017, a primeira expansão desde 2014 (quando o Produto Interno Bruto subiu 0,50%). Em valores correntes, o valor do PIB em 2017 atingiu R$ 6,6 trilhões. Em 2015 e em 2016, o resultado ficou negativo em 3,5%, segundo o IBGE.

Em 2017, contribuíram para o resultado as altas de 13% na agropecuária e de 0,3% nos serviços, além da estabilidade nas indústrias. O resultado da agropecuária foi o melhor em toda a série, iniciada em 1996.

No quarto trimestre de 2017, o PIB subiu 0,10% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Na comparação com o quarto trimestre de 2016, o PIB apresentou alta de 2,1% no quarto trimestre de 2017.

A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, destacou que, com o resultado positivo do PIB de 2017, depois de dois anos seguidos de queda acentuada, o País retoma o nível econômico de 2011, ainda longe do período pré-crise, em 2014.

Em 2017, contribuíram para o resultado as altas de 13% na agropecuária e de 0,3% nos serviços, além da estabilidade nas indústrias. O resultado da agropecuária foi o melhor em toda a série, iniciada em 1996.


(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Segundo Rebeca, o resultado da agropecuária foi puxado pelo recorde das safras de milho, com crescimento de 55,2% no ano, e de soja, com aumento de 19,4% na produção em 2017, na comparação com 2016. "São duas culturas muito importantes na lavoura brasileira", disse a economista. Ela explicou que, do percentual de crescimento do PIB, a maior parte (0,7%) deve-se à agropecuária e parte dos 3% restantes ao setor de serviços, que tem grande peso na economia.

O resultado foi também influenciado pelo crescimento em termos reais dos impostos líquidos e subsídios, puxado pelo crescimento em volume, em termos reais, do Imposto de Produtos Industrializados (IPI). De acordo com Rebeca, a arrecadação de impostos também foi beneficiada pelo crescimento da agropecuária e da indústria de transformação no ano, bem como o aumento das importações. O Imposto de Importação fechou o ano com crescimento de 7,9% e o IPI subiu 4,1%.

Apesar de a indústria ter fechado o ano sem registrar crescimento, com peso grande da construção, que teve queda de 5%, Rebeca ressaltou que outros setores tiveram crescimento. "Olhando a indústria por dentro, a gente vê que quem puxou para baixo foi a construção; as outras três atividades da indústria tiveram crescimento, principalmente as indústrias extrativas (crescimento de 4,3%), puxadas pelo petróleo e minério de ferro, tanto na parte da indústria de transformação quanto na de eletricidade, gás, água e esgoto".

Per capita

O PIB per capita cresceu 0,2% em 2017, em termos reais, segundo o IBGE. O PIB per capita alcançou R$ 31.587 no ano passado. O PIB per capita é definido como a divisão do valor corrente do PIB pela população residente no meio do ano. "O crescimento do PIB é amortecido parcialmente pelo crescimento da população. O PIB per capita vai sempre andar abaixo do crescimento do PIB", afirmou Rebeca Palis.

'Esperança'

O presidente Michel Temer comentou o resultado do PIB e disse que o crescimento representa esperança para o País. "Representa esperança. Tudo tem sido crescimento no País. Veja o que aconteceu com a indústria em pouco tempo de governo. De seis meses pra cá, a indústria tem se recuperado, o varejo tem vendido enormemente. E, ao mesmo tempo, não descuidamos dos programas sociais", disse.

'Crescimento sólido'

Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a economia brasileira entrou em 2018 com crescimento forte e sólido. Ele destacou que o País saiu da recessão após registrar queda de 3,5%, em 2016. Ele citou que o governo manteve a projeção de alta de 3,0% do PIB para este ano. "Pode haver variações pontuais no crescimento trimestral, mas o ritmo de crescimento é forte, tanto que mantemos projeção de alta de 3% em 2018", afirmou o ministro. Questionado sobre a alta de apenas 0,2% na renda per capita em 2017, Meirelles respondeu que a renda tem um processo de defasagem, devido à longa recessão dos últimos anos. "Esperamos crescimento maior da renda per capita em 2018", completou.

Recessão 'acabou'

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, também comentou o resultado do PIB de 2017 e afirmou que alta de 1% inaugura um novo ciclo de crescimento do País, que terá continuidade em 2018. No Twitter do Ministério do Planejamento, Oliveira afirmou que a recessão do Brasil "acabou" e previu uma expansão de 3% do PIB em 2018.

Opinião do especialista

Projeção do PIB cearense em 2017 é de 1,5%

O resultado nacional mostra um ano de retomada depois de dois anos consecutivos de queda e, de certa forma, consolida o fim da crise. Mas essa retomada ainda não é tão rápida. Em 2017, o resultado foi puxado pela supersafra, vide o crescimento da agropecuária. Fora isso, o que estimulou o crescimento de 2017 foi a retomada do consumo das famílias, o que estimulou o comércio. Isso vem em decorrência da redução da Selic, que vem em período longo de menores patamares, e também teve o nível baixo da inflação. Soma-se ainda a redução do endividamento das famílias após dois anos de crise. Tudo isso leva a um aumento de poder de compra das famílias e aumento da tomada de crédito. Já o comportamento do PIB do Ceará depende muito do setor de serviços e esse aumento de poder de compra das famílias está favorecendo também o comércio cearense e isso ajuda no crescimento do Ceará, que tem como pilar serviços, muito puxado pelo comércio. Contudo, a nossa projeção para o PIB cearense de 2017 continua em 1,5% e deve ser confirmada dentro de 15 dias.

Nicolino Trompieri
Economista do Ipece



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