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Em São Paulo, agentes buscaram provas de esquema ilegal criado com empresas de fachada. (Foto: Folhapress)

A partir da lava-jato: PF e Receita Federal dão início à Operação Descarte.

02/03/2018

São Paulo/Belo Horizonte. A Polícia Federal e a Receita Federal cumpriram, ontem, mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, na Operação Descarte, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de serviços de limpeza que têm contratos públicos. A ação dos dois órgãos é um desdobramento da Operação Lava-Jato e teve a contribuição de informações obtidas nas delações premiadas do doleiro Alberto Youssef e de seu ex-sócio Leonardo Meirelles. Dados fornecidos por Youssef e pelo empresário foram cruzados com levantamentos que já vinham sendo feitos pela Receita.

Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em casas e empresas nas cidades de São Paulo, Santos, Paulínia, Belo Horizonte e Lamim (MG). Segundo a Receita, as investigações de auditores do órgão chegaram a um esquema de lavagem de dinheiro formado por uma rede de empresas de fachada que tinham "laranjas" como proprietários. A organização emitiu mais de R$ 900 milhões em notas fiscais com indícios de fraude. No esquema, um grupo de 14 empresas (organizadas em seis "células") simulavam a venda de mercadorias ao cliente do serviço de lavagem, que pagava por produtos inexistentes via transferências bancárias ou boletos, para dar aparência de legalidade à aquisição.

As quantias recebidas, segundo a investigação, eram transferidas para diversas outras empresas de fachada, que remetiam os valores para o exterior ou faziam transferências para pessoas ligadas ao cliente inicial.

"O prejuízo aos cofres públicos pelo não recolhimento dos tributos devidos pode chegar a centenas de milhões de reais", disse a Receita em nota. Das 14 fornecedoras que forjaram notas fiscais falsas, cinco de fato eram empresas regulares, com atividades e funcionários.

Era simulada a compra de produtos como detergentes, sacos de lixo e uniformes. Uma das empresas, com "movimentação financeira milionária", tinha um titular que recebia R$ 2.000 por mês. Pelo que se sabe até agora, parte dos laranjas era vítima dos empresários.



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