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(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Força da Natureza: Ressaca do mar volta a atingir litoral da Capital.

Neste sábado, as ondas ainda apresentarão alturas de até 2.5 m com risco de ressaca em algumas praias.

03/03/2018

A ressaca do mar que atingiu a orla de Fortaleza na quinta e sexta-feira (1º e 2) deixou rastros pelos trechos da Avenida Beira- Mar, nas confluências com a Avenida Barão de Studart e Rua Nunes Valente, e entre a Rua Ildefonso Albano e o Aterrinho da Praia de Iracema. Nesses locais, a areia úmida trazida pelas ondas chegou a ocupar largos espaços tanto nas vias quanto no calçadão da Avenida.

Conforme o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), os dois swells que chegaram ao litoral do Ceará, na quarta e na quinta-feira (31 e 1º), aumentaram a energia das ondas na região. Segundo o CPTEC, este evento ocorre com 1% de probabilidade, indicando ser muito raro acontecer no Estado, com base na climatologia de ondas que o centro dispõe entre, os anos de 1979- 2010.

O Centro acrescentou que, na sexta (2), o modelo numérico de previsão de ondas indicava que elas ficarão com altura entre 2.5 a 3 metros, com pico máximo no período da noite. Neste sábado (3), as ondas ainda apresentarão alturas de até 2.5 m com risco de ressaca em algumas praias da região.

Já neste domingo (4), a agitação marítima tenderá a diminuir. A maior agitação foi percebida no trecho compreendido entre a Rua José Vilar e a Avenida Barão de Studart, onde as ondas banharam todo o local por volta das 17h, resultado em uma série de alagamentos. Apesar da maré forte, houve quem aproveitou a oportunidade para se divertir.



Oportunidade

O vendedor Osmar Guedes, 33, optou por seguir até à praia para pescar, junto com um grupo de cinco pessoas. Na visão do homem, que acompanha o fenômeno há três anos, o momento é uma oportunidade interessante para os entusiastas da extração de peixes. "É muito bom quando isso acontece, porque todos os peixes grandes vêm aqui para a orla. Cheguei aqui às 13h e está correndo tudo dentro do esperado", comentou.

Guiado na premissa de que mar calmo nunca fez bom marinheiro - ou, no caso, bom atleta de bodyboard - o estudante Carlos Roberto Soares, 18, não se intimidou com as ondas e deixou-se levar junto com sua prancha pelas ondas intensas do mar aberto. "Para quem pratica o esporte, isso é normal para essa época do ano e já estamos acostumados. Hoje está alto e isso é ótimo para nós. Vamos ficar aqui até baixar", disse.

Para evitar possíveis acidentes na região, uma equipe com 80 agentes da Secretaria Regional II, Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP), Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) e Defesa Civil de Fortaleza realizava a limpeza da área, devolução da areia e das pedras ao seu local de origem e desobstrução das galerias de águas pluviais, também prejudicadas com o avanço da maré.

Conforme o titular da Secretaria Regional II, Ferruccio Feitosa, mais de 300 toneladas de areia haviam sido retiradas pelos caminhões de serviço e devolvidas para o ambiente natural até a tarde de ontem. Máquinas retroescavadeiras desobstruíam as saídas de águas pluviais, que também foram comprometidas pela areia deslocada durante a grande ressaca.

"Nós temos aqui 80 homens trabalhando, duas pás mecânicas e também retroescavadeiras para fazer o trabalho aqui e trazer segurança para as pessoas. É um fenômeno natural, acontece sempre por volta de fevereiro, mas estudiosos apontam que esse é o maior swell da história da cidade", afirmou Ferruccio. Segundo ele, será montada uma logística para coordenar as ações após a onda.

Detritos

Do começo do Aterrinho da Praia de Iracema até a Ponte dos Ingleses, o foco de detritos se acumulava no calçadão. Lixo e pedras misturavam-se à areia úmida, que ultrapassava a altura do letreiro turístico de Fortaleza, dificultando a circulação de ciclistas.

O administrador de empresas Vinícius Prata, de 55 anos de idade, foi até o local de bicicleta para registrar imagens da orla poluída. "Eu cheguei pela rua lateral do Centro Cultural Belchior, e já estava bem ruim. Mais próximo à Ponte fica praticamente intransitável", revelou Vinícius. (Colaboraram Bárbara Câmara e Fabrício Paiva)

Fique por dentro
Fenômeno é ocasionado por tempestade

O swell é causado, geralmente, por tempestades no oceano. Os ventos trazem ondas geradas a muitos quilômetros da costa, que chegam seguidas e de forma regular, vindas da mesma direção. Durante o período atual, banhistas e embarcações de pequeno porte devem evitar, por precaução, a entrada no mar. De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), na última quarta-feira (28), houve a chegada de um swell no litoral do Ceará com período de pico de até 16 segundos, e logo outro swell ainda mais intenso na quinta-feira (1º) com período de pico de até 19 segundos.

Galeria: avanço do mar

As ondas avançam na direção da faixa de praia; o espetáculo da natureza atrai muitos curiosos; alguns banhistas da Beira Mar curtem o fim de tarde como se nada tivesse acontecendo; o vendedor de bebidas aguarda pelos clientes


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