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Dados do IBGE mostram que a remuneração média das mulheres do Nordeste era de R$ 1.286, enquanto os homens ganhavam R$ 1.477. (Foto: Saulo Roberto)

Desigualdade Está Caindo: Mulheres do NE ainda ganham 14,8% a menos que os homens.

Conforme pesquisa do IBGE, entre 2015 e 2016, a diferença salarial caiu 3,3 pontos percentuais na Região.

08/03/2018

Fortaleza/Rio. A diferença entre os rendimentos médios de homens e mulheres no Nordeste caiu 3,3 pontos percentuais. Em 2016, os homens ganhavam 14,8% a mais que as mulheres, enquanto em 2015, a diferença era de 18,1%. Apesar disso, os trabalhadores do sexo masculino apresentavam rendimento médio de R$ 1.477 contra R$ 1.286 das trabalhadoras. Os resultados do estudo Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil foram divulgados, ontem (7), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o coordenador de Estudos e Análises de Mercado do Instituto do Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita, os dados, entretanto, mostram que ainda há uma brusca desigualdade entre os sexos, principalmente no Nordeste. "Independente do contexto geográfico, há uma desigualdade entre os sexos. Quando a gente olha para o mercado de trabalho formal, a gente não percebe com tanta evidência essas questões", afirma Mesquita.

Segundo ele, a pesquisa mostra que boa parte das mulheres exerce atividades de modo informal ou de natureza autônoma. "Elas realizam alguma atividade econômica paralela, o que evidencia ainda mais essa desigualdade entre os gêneros".
Conforme estudo realizado pel IBGE, mesmo em número maior entre as pessoas com ensino superior completo, as mulheres ainda enfrentam desigualdade no mercado de trabalho em relação aos homens.

"Tomando por base a população de 25 anos ou mais de idade com ensino superior completo em 2016, as mulheres somam 23,5%, e os homens, 20,7%. Quando se comparam os dados com homens e mulheres de cor preta ou parda, os percentuais são bastante inferiores: 7% entre os homens e 10,4% entre mulheres", diz o estudo.

O cenário cearense não é diferente dos resultados nacionais, de acordo com Mesquita. "Nós vivemos este mesmo cenário no Ceará. A gente teve um processo de emancipação das mulheres, mas apesar disso, pelo contexto, as mulheres têm vários papéis, entrando dessa forma em trabalhos parciais, com até seis horas diárias, o que acaba fazendo com que elas tenham rendimentos mais baixos que dos homens", explica.


(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Dificuldades

Além da questão salarial, segundo o coordenador do IDT, a inserção no mercado de trabalho formal ainda é grande para as mulheres. "A dificuldade já começa na própria entrevista. As mulheres passam por um rol de perguntas que não são feitas aos homens. Toda vez que as mulheres se submetem a um cargo específico você tem perguntas que ultrapassam a especificidade do cargo", ressalta.

De acordo com ele, muitas empresas fazem uma investigação da vida privada das mulheres o que não acontece com a mesma intensidade com os trabalhadores do sexo masculino.

"É um dado preocupante. Além disso, as mulheres têm um mês a mais no desemprego que os homens".

Brasil

Em relação ao rendimento habitual médio mensal de todos os trabalhos e razão de rendimentos, por sexo, entre 2012 e 2016, as mulheres ganham, em média, 75% do que os homens ganham. Isso significa que as mulheres têm rendimento habitual médio mensal de todos os trabalhos no valor de R$ 1.764, enquanto os homens, R$ 2.306.

A taxa de frequência escolar líquida ajustada no ensino médio em 2016 exibe maior percentual de mulheres (73,5%) que de homens (63,2%).

Em termos de rendimentos, vida pública e tomada de decisão, a mulher brasileira ainda se encontra em patamar inferior ao do homem, bem como no tempo dedicado a cuidados de pessoas ou afazeres domésticos. A pesquisa confirma ainda a desigualdade existente entre mulheres brancas e negras ou pardas.

No tópico da educação, o estudo procurou ressaltar também que entre as mulheres, as desigualdades são marcantes. As mulheres brancas alcançam superior completo em proporção duas vezes maior que as pretas ou pardas.

Tempo parcial

A proporção de trabalhadores em ocupações por tempo parcial (até 30 horas semanais) é maior entre as mulheres (28,2%) do que entre os homens (14,1%). Isso pode estar relacionado à predominância feminina nos cuidados de pessoas e afazeres domésticos, aos quais as mulheres trabalhadoras dedicavam 73% mais horas do que os homens.

Seja no conjunto da população, seja no universo do trabalho, as mulheres são mais escolarizadas do que eles, mas o rendimento médio delas equivale a cerca de 3/4 dos homens. No Brasil, 62,2% dos cargos gerenciais (públicos ou privados) eram ocupados por homens enquanto que apenas 37,8% pelas mulheres, em 2016.

Estruturas econômicas

De acordo com o estudo, o tempo dedicado aos cuidados de pessoas ou a afazeres domésticos é maior entre as mulheres (18,1 horas por semana), do que entre os homens (10,5 horas por semana). Na média Brasil, são dedicadas por homens e mulheres 14,1 horas por semana a esse tipo de trabalho. "Por qualquer nível de desagregação que a gente faça, seja por regiões, como por raça ou por grupo de idade, há mulheres se dedicando com um número de horas bem maior do que os homens a esse tipo de trabalho", ressaltou a pesquisadora do IBGE, Caroline Santos.

Para Santos, esse indicador é importante porque dá visibilidade a um trabalho não remunerado, que é executado pelas mulheres, dentro de casa. E tem pouca visibilidade. Por regiões, no Nordeste, as mulheres dedicam um número maior de horas a cuidados, nesse tipo de atividade (19 horas por semana, contra 10,5 horas semanais dos homens).

Caroline destacou que por cor ou raça existe o agravante histórico, característico da formação do país, em que as mulheres pretas ou pardas se dedicam mais a esse tipo de trabalho não remunerado. De acordo com o estudo, as mulheres pretas ou pardas dedicam 18,6 horas semanais para cuidados de pessoas ou afazeres domésticos, contra 17,7 horas entre as mulheres brancas.



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